São Paulo- Três dias após o terremoto que devastou o Haiti e pode ter deixado até 100 mil mortos, o país caribenho vê o clima de tensão se elevar, conforme a ajuda humanitária não chega efetivamente para a maioria da população devido a problemas logísticos e mais pessoas sucumbem à falta de socorro médico.
O tremor de magnitude 7 graus ocorrido na terça-feira pode ter matado entre 50 mil e 100 mil pessoas, afirmou a Organização Pan-americana de Saúde, ligada à ONU (Organização das Nações Unidas). Já o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) apontou ontem para um número entre 45 mil e 50 mil vítimas.
No único número concreto sobre a extensão da tragédia, o presidente do Haiti, René Préval, disse que 7.000 corpos já foram colocados em uma vala comum.
Apesar da intensa mobilização internacional para o envio de ajuda humanitária -em forma de equipes de resgates, equipamentos, mantimentos e dinheiro-, ela ainda não chegou para a grande maioria dos haitianos. Desabrigados e sem ter como retirar parentes dos escombros ou enterrar os corpos, a tensão começa a tomar conta das ruas de Porto Príncipe.
''Perdemos tudo. Estamos esperando a morte. Não temos nada para comer, nenhum lugar onde viver. Não tivemos ajuda nenhuma. Ninguém veio nos ver'', disse Andres Rosario, instalado em um acampamento improvisado num aterro sanitário de Porto Príncipe. ''Ninguém está nos ajudando. Por favor, tragam água ou as pessoas vão morrer logo'', ecoou Renelde Lamarque, que abriu o quintal da sua casa para cerca de 500 vítimas no devastado bairro do Fort National.
Sobreviventes esfarrapados estendem os braços para jornalistas estrangeiros nas ruas, implorando por água e comida.
A limitada infraestrutura do Haiti, ainda mais precária após o terremoto, é o principal obstáculo para que a ajuda chegue aos necessitados. De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado americano, Philip Crowley, oficiais americanos avaliaram que o aeroporto de Porto Príncipe, que tem apenas uma pista, só pode operar 90 decolagens e pousos por dia -número que ainda não foi alcançado.
O general Eduardo Wizniewsky, comandante da 2Região Militar, afirmou que os corpos dos 14 militares brasileiros devem chegar ao Brasil no domingo.

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