Num dia repleto de explosões, helicópteros israelenses atacaram ontem com mísseis o quartel-general da polícia palestina na Faixa de Gaza, enquanto os dois lados discutiam quem era o responsável pela explosão que matou seis ativistas palestinos numa loja de peças de automóveis na Cisjordânia.
Na violência de ontem, também houve um ataque de morteiros palestinos em Gaza, que feriu uma menina judia de 9 anos, e uma bomba de baixa potência colocada dentro de uma lata de cerveja explodiu num supermercado no centro de Jerusalém, causando danos, mas não feridos.
A rápida sucessão de atos de violência manteve a região em tenso alerta, enquanto líderes israelenses e palestinos reafirmavam suas posições que os têm mantido em confronto durante a atual crise, que já dura 10 meses.
Os palestinos voltaram a pedir pela presença de observadores internacionais e disseram que a política israelense de assassinatos seletivos está alimentando o conflito. ‘‘Qualquer postergação em providenciar proteção internacional para o povo palestino apenas trará a situação para mais perto do colapso total’’, afirmou o ministro da Informação palestino, Yasser Abed Rabbo.
Mas Israel reluta profundamente em trazer observadores internacionais, e afirma que tem de agir contra militantes palestinos, já que o líder Yasser Arafat recusa-se a contê-los.
‘‘Não existe ciclo de violência’’, disse Daniel Ayalon, assessor de política externa do primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon. ‘‘Existe a violência palestina, e então existem algumas respostas que temos de tomar em defesa própria.’’
Os dois lados discordavam completamente sobre uma explosão na madrugada que destruiu uma loja de peças de automóveis nos arredores de Nablus, na Cisjordânia. Seis ativistas palestinos do movimento Fatah, de Arafat, foram mortos num dos mais mortais episódios de violência nos dez meses de confrontos.
Os palestinos afirmaram que a explosão foi parte das ações de Israel para matar supostos militantes. ‘‘O governo israelense continua com sua política de assassinato’’, disse o secretário do gabinete palestino, Ahmed Abdel Rahman. Mas a vice-ministra da Defesa de Israel, Dalia Rabin-Pelossof, afirmou que a explosão foi um ‘‘acidente de trabalho’’, um eufemismo usado pelos israelenses para bombas de fabricação caseira que explodem prematuramente. ‘‘Não é a primeira vez que os palestinos acusam Israel de assassinato quando ocorrem explosões como essa’’, disse ela à Rádio do Exército.

mockup