Bagdá - A maioria dos setores políticos do Iraque concordam na conveniência de um adiamento das eleições gerais do dia 30 de janeiro devido aos problemas de insegurança e a violência que atingem o país e que ontem mataram oito iraquianos e dois soldados americanos. O pedido para o adiamento das eleições se mantém apesar da reticência inicial do governo iraquiano, dos Estados Unidos e dos líderes xiitas, a maior comunidade do país.
''Há uma realidade inegável... o clima de segurança no Iraque não é propício para se realizar as eleições'', destacou Saad Abdelrazzak, dirigente de um dos partidos que reclama o adiamento. Falando em audiência na Câmara dos Comuns, o ministro das Relações Exteriores britânico, Jack Straw, admitiu ontem que será difícil realizar as eleições no dia 30 de janeiro.
Straw acrescentou, no entanto, que para a Comissão Eleitoral iraquiana e os políticos desse país é preferível ''cumprir com essa data para não dar a impressão de estar cedendo'' às forças antagônicas ao processo. Fuad al Rawi, membro do Partido Islâmico Iraquiano, advertiu que os enfrentamentos, ataques e atentados terroristas acabarão impedindo o comparecimento dos eleitores às urnas. ''Não podemos nestas condições assegurar a participação dos cidadãos nas eleições. O pedido para adiá-las por seis meses é realista'', destacou.
Um ministro iraquiano disse no domingo que o governo poderia estudar a solicitação formulada por uma dezena de partidos para trocar a data das eleições para mais tarde. ''Nos próximos dias, o Conselho de Ministros se reunirá para estudar e provavelmente aprovar o pedido'', disse o ministro do Planejamento, Mahdi al Hafez, um funcionário próximo ao líder sunita moderado Adnane Pachach, gestor do pedido de adiamento.
Os atentados e operações militares se multiplicam sem parar por todo o país e ontem provocaram a morte de quatro guardas nacionais iraquianos e dois soldados americanos. Com mais estes dois soldados, aumentou para 11 a quantidade de mortos nos quadros americanos desde quinta-feira, sete dos quais perderam a vida na cidade rebelde de Al Anbar, a leste de Bagdá.

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