Credores perdoam 80% da dívida do Iraque
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domingo, 21 de novembro de 2004
France Presse 
São Paulo - Estados Unidos, Alemanha e outras nações do G-7 (o grupo dos países mais ricos do mundo) chegaram a um acordo ontem para perdoar até 80% da dívida externa do Iraque de US$ 122 bilhões. A decisão vai contribuir para o processo de reconstrução do país, devastado após a invasão americana em 2003 e que ainda enfrenta combates e atentados promovidos pela insurgência.
O anúncio da ajuda foi feito pelo ministro das Finanças alemão, Hans Eichel, após reunião em Berlim com o secretário do Tesouro americano, John Snow.
Eichel disse, durante um intervalo da reunião de ministros das 20 maiores economias do planeta, que o encontro com Snow ''criou a base sobre a qual o perdão poderá ser acordado pelo Clube de Paris'' (grupo de países credores de cerca de US$ 42 bilhões do débito iraquiano).
Segundo o ministro alemão, 30% da dívida serão perdoados imediatamente, outros 30% em uma segunda etapa vinculada a um programa do Fundo Monetário Internacional e mais 20% ''condicionados ao sucesso desse programa''.
Os principais esforços para o perdão da dívida iraquiana partiram dos Estados Unidos, que desejavam um abatimento de até 95%. Contudo outros países, incluindo a própria Alemanha, questionavam se um país rico em petróleo deveria receber semelhante ajuda. A França que, como a Alemanha, se opôs à invasão do Iraque para derrubar o regime do ex-ditador Saddam Hussein havia proposto no passado uma redução de apenas 50%.
O subsecretário de Estado americano, Richard Armitage, sugeriu em entrevista à rede de TV árabe Al Jazira que o presidente francês, Jacques Chirac, ''torce para que os EUA fracassem no Iraque''.
Desfecho A refém polonesa Teresa Borcz-Halifa, que havia sido sequestrada no último dia 28, foi libertada e apareceu em Varsóvia ao lado do primeiro-ministro Marek Belka. Borcz-Halifa, de 54 anos, disse que os sequestradores a ''trataram bem''. O premiê se recusou a revelar detalhes envolvendo a libertação da refém.
Em Amã (Jordânia), um caminhoneiro egípcio, que foi libertado na semana passada, disse que ficou preso na mesma casa em Latifiya (sul do Iraque) em que estavam os dois jornalistas franceses sequestrados no final de agosto. Ahmad Abdel Aziz Mohamad disse que ao ser libertado, há oito dias, Christian Chesnot e Georges Malbrunot continuavam no cativeiro. ''Não falo francês, mas pude reconhecer o idioma'', afirmou.
Carro-bomba Insurgentes mataram ontem em Bagdá quatro funcionários do Ministério dos Serviços Públicos iraquiano. Também na capital, pelo menos uma pessoa morreu na explosão de um carro-bomba na praça Tahir, no centro da cidade, e um soldado americano foi morto durante ataque ao seu comboio.
Em Mossul, no norte, tropas iraquianas e americanas acharam quatro corpos decapitados e prenderam 30 rebeldes. Ainda sem identificação, os corpos foram encontrados em uma estrada. As vítimas podem ser homens da Guarda Nacional iraquiana.


