Credores pedem fim de negociação
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terça-feira, 24 de junho de 2014
Isabel Fleck<br>Folhapress 
Nova York - Os credores que não aceitaram reestruturar a dívida da Argentina pediram, nesta terça-feira, ao juiz americano Thomas Griesa que não atenda à solicitação feita por Buenos Aires no dia anterior para suspender a sentença obrigando o país a pagá-los até 30 de junho.
Em carta enviada pelo advogado do grupo, Robert Cohen, os credores ressaltam que já há um período de carência de um mês - caso a Argentina não faça o pagamento na próxima segunda-feira, ainda há um prazo de mais 30 dias antes de cair em calote técnico. "Se a Argentina está sendo séria em sua proposta de negociar uma solução, não há razões para que as negociações não sejam concluídas até 30 de julho, que, considerando o período de carência, é o prazo efetivo para o pagamento", diz a carta.
NEGOCIAÇÃO SOBRE PRAZO
O grupo de credores, liderado pelo fundo de investimentos NML, da Elliott Management Corp., propõe que, "se progressos forem feitos" nos próximos dias e a Argentina não tomar nenhuma ação para não cumprir com o pagamento nesse período, as duas partes poderão discutir uma extensão do prazo.
Tal prorrogação permitiria que a Argentina pagasse a parcela do outro grupo de credores - que trocaram seus títulos em 2005 e 2010 - no dia 30 de junho, sem ter esse dinheiro confiscado para pagar os demais fundos.
"Estamos dispostos a negociar alguma coisa com a Argentina sobre prazos, mas eles devem mostrar primeiro que estão empenhados em negociar com boa fé", disse à reportagem uma fonte próxima aos credores.
O grupo exigiria, para a extensão, um plano de "proteção e compensações adequadas" para o caso de as negociações falharem após a Argentina pagar aos detentores de sua dívida renegociada em 30 de junho.
DECISÃO A FAVOR
O grupo liderado pelo NML ganhou, na semana passada, na Justiça dos EUA, o direito a receber o pagamento com valor integral. Os credores dessa parte da dívida são fundos que não aceitaram renegociar os valores em duas oportunidades que tiveram para isso (em 2005 e 2010). Juntos, eles têm cerca de US$ 15 bilhões em títulos, que representam cerca de 8% do total.
A Argentina argumenta que o objetivo da suspensão pedida não é contestar a decisão da Suprema Corte, mas sim tentar postergar a execução na Justiça e ganhar tempo para negociar com os fundos.


