A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico poderá pedir o indiciamento e nova prisão do ex-general Lino Oviedo, por envolvimento com tráfico de drogas, contrabando de armas e lavagem de dinheiro, caso ele se negue a prestar depoimento à comissão até terça-feira. O relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), disse que há fortes indícios do envolvimento do ex-general paraguaio com vários tipos de crimes. Ontem, três parlamentares da CPI tentaram ouvir Oviedo na PF, mas ele afirmou que está ‘‘abalado’’. O advogado de Oviedo, Luiz Eduardo Roriz, disse que seu cliente deverá colaborar com a CPI, mas que não está envolvido com nenhum tipo de atividade ilícita.
A prova mais contundente contra Oviedo está em um dos sub-relatórios feitos pela CPI, no qual uma testemunha secreta afirma ter ouvido que o traficante brasileiro Fernandinho Beira-Mar ficou escondido na fazenda de Oviedo. Segundo os deputados da CPI, Oviedo tem uma fazenda no Paraná. A relação entre Oviedo e Fernandinho Beira-Mar era de conhecimento de todas as pessoas que frequentavam a delegacia do 2º. Distrito Policial, em Foz. Além disso, o paradeiro de Fernandinho Beira-Mar e sua relação com Oviedo eram conhecidas por uma alta autoridade policial do Paraná.
A testemunha, mantida no anonimato, disse ao MP do Paraná que muitas apreensões de maconha, cocaína e lança-perfume eram produtos fornecidos no Paraguai por dois agentes da Polícia Nacional daquele país, conhecidos como Cardoso e Camargo. As carretas que supostamente eram trocadas por drogas, segundo a testemunha, eram deixadas em frente ao 2º Distrito Policial.
Um secretário de Oviedo, segundo o depoente, tinha conhecimento de utilização de placas frias em carretas que eram levadas para o Paraguai. As carretas maiores eram trocadas por dois quilos de cocaína.
Em outro documento há uma demonstração do fluxo de transferências de dinheiro de uma casa de câmbio de Foz do Iguaçu para Cuidad del Este, Nova York, Miami e Ilhas Virgens. No Caribe estaria a sede de uma empresa pertencente a outro general ligado a Oviedo. Há nos documentos um recado de um general ao dono de uma empresa envolvida no suposto esquema dizendo: ‘‘O general Centurion está chateado porque não chegou os U$ (dólares) das armas dele. Não haverá nova remessa de G-3 e Taurus até que esteja 100% pago.’’ O bilhete está assinado por ‘‘Gen.’’, supostamente outro general que participaria do esquema. A pessoa a quem o bilhete é endereçada, que a CPI prefere não divulgar o nome, seria um representante de uma empresa de câmbio no Brasil, supostamente envolvido no esquema. O dinheiro, segundo o documento, é usado para compra de armas e helicópteros.

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