Comissão vai formalizar ao Paraguai o pedido de indiciamento e prisão de Lino Oviedo, baseando-se em documentos fornecidos por parlamentares paraguaios
A CPI do Narcotráfico vai formalizar ao Ministério Público do Paraguai um pedido de indiciamento e prisão contra o ex-general golpista paraguaio Lino César Oviedo por crimes de tráfico de drogas, contrabando de armas, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. A ação será enviada à Justiça paraguaia até a próxima semana, anunciou o relator da CPI, deputado Moroni Torgan (PFL-CE). Ação idêntica será protocolada no Brasil, na Procuradoria-Geral da República, após o julgamento do pedido de extradição de Oviedo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que pode levar meses.
Com essa decisão, a situação de Oviedo fica mais complicada. O ex-militar seria julgado pelos crimes praticados no Paraguai e, posteriormente, pela Justiça brasileira. Ou seja, se Oviedo já tiver sido extraditado para o Paraguai, o governo brasileiro poderá requerer seu retorno ao País para que ele possa responder pelos crimes dos quais é acusado.
Preso em Foz do Iguaçu no dia 11, Oviedo foi indiciado pela Polícia Federal por uso de documento falso e porte ilegal de armas. O ex-general usava documento de Emílio Franco Villarreal ao ser detido.
Oviedo está recolhido em uma cela da superintendência da PF em Brasília com outros três pessoas – um alemão e dois brasileiros. O ex-general tenta no STF a transferência para um batalhão da Polícia Militar.
A estratégia da CPI em relação a Oviedo foi mudada ontem, após reunião de membros da comisão, entre eles o presidente Magno Malta (PTB-ES), com o presidente do STF, Carlos Velloso, para discutir detalhes técnicos do pedido de extradição. O senador paraguaio Luís Aberto Mauro e o deputado Nery Felipe Pereira Delvalle, que presidem, respectivamente, as comissões de Direitos Humanos e de Combate ao Narcotráfico do Congresso do Paraguai, também participaram do encontro.
Segundo Torgan, a CPI do Narcotráfico já possui fortes indícios, com base em documentos fornecidos pelos parlamentares paraguaios, para pedir o indiciamento e a prisão de Oviedo por formação de quadrilha, narcotráfico, contrabando de armas e lavagem de dinheiro na rota Paraguai-Brasil. A comissão, que já tem mil páginas de denúncias e provas contra o ex-general, receberá na próxima semana uma nova remessa de documentos que incriminam Lino Oviedo.
Entre a documentação recebida pela CPI, há bilhetes do general José Centurión, que comandou o combate ao tráfico de drogas e de armas na época em que Oviedo chefiava o Exército. Em um deles, Centurión cobra o envio de dólares referente à remessa de armas a brasileiros, que seriam ligados ao esquema de contrabando na fronteira do Paraguai com o Brasil.
Torgan explicou que muita coisa ainda deve ser investigada em relação ao envolvimento de Oviedo com o crime organizado e o narcotráfico. A CPI recebeu informações de que o esquema ao qual Oviedo estaria vinculado teria ramificações no Paraguai, Brasil, Estados Unidos e Caribe. O advogado de Oviedo, Luiz Eduardo Roriz, foi procurado para falar sobre o caso, mas não retornou as ligações.

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