Covid-19 bate recorde no Reino Unido e eleva pressão para fechar escolas
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segunda-feira, 04 de janeiro de 2021
ANA ESTELA DE SOUSA PINTO 
Bruxelas, Bélgica - A divulgação de mais um recorde no número de novos casos de coronavírus no Reino Unido, nesta segunda (4), aumentou a pressão sobre o premiê britânico, Boris Johnson, para que decrete um confinamento nacional na Inglaterra, incluindo o fechamento das escolas.

Nas últimas 24 horas, o Reino Unido registrou 58.784 novos casos de Covid-19, maior número diário e sétimo dia consecutivo com mais de 50 mil novos doentes por dia. O número de casos vinha crescendo no último mês, mas a transmissão se acelerou levando as estatísticas da última semana a um salto de 50% em relação à semana anterior, com um número de testes equivalente.
A tendência aumentou com o surgimento de uma nova variante do Sars-Cov-2 (conhecida como B117 e até 70% mais transmissível). Desde o começo da pandemia, já morreram no país mais de 75 mil pessoas, o que coloca os britânicos ao lado dos italianos no topo do ranking de óbitos por coronavírus na Europa. Nas últimas 24 horas, houve mais 407 mortes, e as taxas semanais têm crescido.
"Se você olhar para os números, não há dúvida de que teremos que tomar medidas mais duras e iremos anunciá-las no devido tempo", disse Boris em entrevista pela manhã. Ele porém pediu aos pais que mandassem seus filhos às escolas nas regiões em que elas fossem reabertas.
A volta de alunos do ensino médio já havia sido adiada em duas semanas a partir desta segunda e, em Londres, por causa do aumento nos casos de Covid-19, escolas de ensino fundamental também atrasaram a reabertura. "Entendo a ansiedade das pessoas, mas não tenho dúvidas de que as escolas são seguras e que a educação é uma prioridade", afirmou Boris.
Desde sábado, o governo inglês sofre pressão do sindicato dos professores e de políticos do Partido Trabalhista, de oposição, para não retomar as aulas presenciais por ao menos um mês. Os sindicatos dizem que "a abertura caótica" das escolas por parte do governo está "expondo os trabalhadores do setor de educação a sérios riscos de problemas de saúde e pode alimentar a pandemia".
Nesta manhã, Matt Hancock, secretário (equivalente a ministro) da Saúde britânico, rebateu as críticas: "A proporção de professores que pegam o coronavírus não é maior do que o resto da população", afirmou ele, argumentando que o fechamento tem sérios impactos negativos e só deve ser feito como último recurso. "A educação também é muito importante, especialmente para a saúde a longo prazo das pessoas."
A Comissária das Crianças para a Inglaterra, Anne Longfield, sugeriu que professores sejam vacinados com prioridade para evitar a transmissão e também o fechamento das escolas. O Reino Unido foi um dos primeiros países a começar a vacinação em massa, mas tem priorizado idosos e profissionais de saúde. Segundo Longfield, a suspensão das aulas é uma ameaça à saúde mental das crianças e deve ser evitada ao máximo.


