Costa do Marfim volta à calma
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sexta-feira, 20 de setembro de 2002
Virginie Gómez<BR>Agência EFE 
AbidjanOs marfinenses voltaram ontem à vida normal, após uma tentativa de golpe de Estado que causou a morte de quase 100 pessoas, na maioria soldados amotinados segundo versões não-oficiais. Embora a calma tenha voltado a Abidjan, a capital financeira da Costa do Marfim, a rádio local veiculou notícias de combates esporádicos, ontem pela manhã, na localidade de Bouaké, segunda em importância, situada a 400 quilômetros, na região central do país.
O primeiro-ministro da Costa do Marfim, Pascal Affi N'Guessan, confirmou na noite passada, por meio de uma mensagem pela TV direcionada à nação, que a rebelião havia ''fracassado'' e pedia aos cidadãos voltassem à rotina e ao trabalho.
''Grupos de soldados e civis rebeldes atacaram conjuntamente Abidjan, Bouaké e Korhogo, e os prédios do Estado e dos órgãos da Defesa'', assim como, as residências de líderes políticos e militares numa tentativa de derrubar o Governo, disse N'Guessan, que declarou: ''Neste momento que falo com vocês, posso assegurar que a tentativa de golpe fracassou''. O político informou que o toque de recolher imposto no país, ''para segurança de todos os cidadãos'', será suspenso na próxima terça-feira.
Entre os mortos estão o ministro do Interior e de Segurança do Estado, Emile Boga Doudou, conselheiro pessoal do presidente marfinense Laurent Gbagbo, e o general Robert Guei, que é acusado de ter estimulado a rebelião e recrutado antigos soldados que o apoiaram no golpe de Estado de 1999, que o levou ao poder.
Segundo fontes não confirmadas, o líder da oposição política, Alassane Ouattara, do Agrupamento de Republicanos (AR), que é considerado um forte adversário nas próximas eleições presidenciais, se refugiou com sua esposa na casa do embaixador alemão em Abidjan, no bairro de Cocody, após o fracassado golpe de Estado.
O ministro dos Esportes, François Amichia, capturado pelos rebeldes em Bouaká, disse em um comunicado feito ontem, pela rádio nacional, que aqueles que o capturaram pediram a ele que intermedeie com o Governo uma forma de não serem expulsos do Exército.
Por meio do Fórum para a Reconciliação Nacional, criado por recomendação da comunidade internacional, Gbagbo tentou normalizar a vida política e institucional do país.


