Cosmonautas não aceitam acusações
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sábado, 16 de agosto de 1997
France Presse Moscou 
France PresseAlegriaDe volta à Terra, depois de uma atribulada missão de 186 dias no espaço, os tripulantes da Mir se abraçamOs cosmonautas russos Vassili Tsibliev e Alexandre Lazutkin, tripulantes da nave russa Mir que se encontra no espaço e que sofreu, há alguns meses, os efeitos do choque com outra nave, não tripulada, declararam ontem que se sentem bodes expiatórios dos problemas da estação orbital, que no seu entender foram devidos à falta de recursos.
É mais fácil culpar a tripulação. Neste país, a culpa é sempre do operário, declarou amargamente Tsibliev, comandante da acidentada missão, em uma entrevista à imprensa concedida na Cidade das Estrelas, zona norte de Moscou.
Não é agradável ler nos jornais tantas coisas tão pouco objetivas. Tentam culpar-nos por esta missão infeliz, acrescentou.
Tsibliev e o engenheiro Lazutkin voltaram na quinta-feira à Terra, depois de uma missão de seis meses que se converteu em um verdadeiro calvário: incêndio a bordo em fevereiro, colisão com um cargueiro Progress em junho, despressurização do módulo científico Spektr, desconexão de painéis solares, perda de experiências, etc.
Vários meios de comunicação russos acusaram Tsibliev do choque com a Progress, ocorrido quando ele pilotava manualmente a estação. Mas, segundo o cosmonauta, nossa missão foi um sucesso, na medida em que voltamos vivos e com saúde.
Lembrou que ele e seus dois companheiros - Lazutkin e o norte-americano Michael Foale - tiveram três ocasiões de grave perigo, quando poderiam ter deixado a Mir a bordo da cápsula Soyuz e, entretanto, nunca pensamos em fugir.
Se tivemos tantos acidentes e contrariedades, foi devido muito mais à Terra e à situação econômica, pois não há dinheiro para preparar e enviar ao espaço muitos equipamentos necessários, prosseguiu Tsibliev.
Os novos ocupantes da Mir, Anatoli Solovev e Pavel Vinogradov, que chegaram no dia 5 passado à estação, e o norte-americano Foale, que continua a bordo, tentarão na próxima quarta-feira reconectar os painéis solares, desligados desde a colisão de junho.


