Corte Suprema anuncia fim de crise com Uribe
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quinta-feira, 10 de julho de 2008
Folhapress 
São Paulo- O presidente da Corte Suprema de Justiça da Colômbia, Francisco Ricaurte, anunciou ontem que ''estão total e plenamente restabelecidas'' as relações entre o tribunal e o governo Álvaro Uribe, estremecidas desde que o presidente desafiou o tribunal ao propor um referendo para repetir a eleição de 2006 e acusou seus integrantes de ligação com paramilitares e guerrilheiros.
A declaração aconteceu após uma reunião de duas horas entre Ricaurte e o ministro do interior, Fabio Valencia. Na segunda-feira, o próprio Uribe e o presidente da Corte se encontraram, com a mediação da Igreja Católica.
Os gestos de distensão ocorrem depois do êxito do resgate de 15 reféns das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), no dia 2. Mas, por enquanto, Uribe não quis pôr fim definitivo à disputa.
Segundo seus ministros, o presidente ''estuda'' se ainda mandará ao Congresso referendo para repetir a eleição de 2006, quando foi reeleito. A consulta foi uma resposta a uma decisão da Corte Suprema, que há duas semanas condenou uma ex-congressista que recebeu benesses do governo em troca do voto que aprovou a emenda da reeleição.
Segundo relatos da imprensa colombiana, o ministro não quis comentar hoje se a aproximação entre os Poderes freará os processos movidos pelo Executivo contra a Corte em uma comissão da Câmara dos Deputados, uribista.
O próprio Uribe acusa um juiz da Corte de injúria e calúnia também na instância. Para analistas, as ações são formas de intimidar o Judiciário.
Enquanto o referendo perde força, crescem as especulações sobre a intenção de Uribe de mudar de novo a legislação para obter um terceiro mandato. O indicativo da vez seria a decisão do presidente de trocar de chanceler e trazer de volta a Bogotá seu antigo marqueteiro.


