Corte revoga sentença e dá chance a Gore
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sábado, 09 de dezembro de 2000
France Presse De Tallahassee 
A Corte Suprema da Flórida deu razão ontem ao vice-presidente, Al Gore, revogou uma decisão anterior e ordenou a recontagem manual de votos no Estado, o que poderá conceder ao candidato democrata a presidência dos Estados Unidos, revertendo o resultado das eleições neste Estado.
Na decisão de quatro a três, os sete magistrados ordenaram também que fosse concedido a Gore mais 215 votos a seu favor conseguidos depois de uma recontagem manual em Palm Beach, e outros 168 em Miami-Dade, reduzindo para 164 a vantagem do republicano George W. Bush, que estava sendo dado como vencedor na Flórida com 537 votos de diferença.
Votaram a favor de Gore quatro magistrados contra três, informou o porta-voz da Corte, Craig Waters.
O máximo tribunal ordenou ao juiz Sanders Sauls, que em 4 de dezembro tinha rejeitado a impugnação de Gore contra o resultado da eleição, que proceda de imediato a recontagem manual dos aproximadamente nove mil votos duvidosos que não podiam ser lidos pelas máquinas de apuração do condado de Miami-Dade.
Adicionalmente, Sauls deve ordenar a recontagem manual imediata de todos os votos nas mesmas condições, em qualquer condado onde isso ainda não aconteceu.
Na apuração dos votos, devem ser usadas as normas estabelecidas pela legislação da Flórida, e se deve levar em conta todo voto onde se possa estabelecer claramente a intenção do eleitor.
Dois dos magistrados assinaram opiniões dissidentes, entre eles o presidente da Corte, Charles Walls, disse Waters. Um terceiro magistrado se somou a uma dessas opiniões, acrescentou.
Devido ao tempo ser de extrema importância, a recontagem será iniciada imediatamente, determinou a Suprema Corte.
No entanto, o tribunal ordenou uma recontagem muito mais ampla do que a pretendida por Gore, informando que os subvotos cédulas nas quais o voto para presidente estava em branco devem ser recontados em todos os 67 condados da Flórida. Não estava claro se a campanha do republicano George W. Bush apelaria.
A decisão foi divulgada pouco mais de duas horas depois de dois juízes terem rejeitado processos movidos por eleitores democratas pedindo a exclusão de 25 mil votos de ausentes nos condados de Seminole e Martin Counties. As decisões significaram sérias derrotas para o vice-presidente norte-americano, apesar de ele não ter sido parte formal em nenhum dos dois casos.
A Comissão de Direitos Civis dos Estados Unidos está investigando se cidadãos negros na Flórida não puderam votar nas eleições presidenciais de 7 de novembro por causa de atos de intimidação, discriminação ou fraude.
A comissão de oito membros pode realizar audiências e convocar testemunhas, mas carece de poder de polícia e não está contemplando ações que possam afetar o resultado eleitoral.
Já os líderes negros de Jacksonville, na Flórida, entraram com um processo no qual contestam o resultado da eleição presidencial, afirmando que George W. Bush foi confirmado como vencedor no Estado só porque minorias tiveram negado sistematicamente seu direito de votar.
A ação judicial, impetrada terça-feira à noite no Tribunal Itinerante do Condado de Leon, argumenta que, embora votos fossem descartados em toda a Flórida depois da eleição, foi desproporcional o número não validado nas comunidades negras.


