Corte inglesa adia para semana que vem decisão sobre Pinochet
Associated Press
De Londres
A Alta Corte britânica postergou para a semana que vem a decisão sobre se ordena ou não a divulgação do relatório médico que considerou o ex-ditador chileno Augusto Pinochet incapaz de enfrentar um julgamento. Ao mesmo tempo, o ministro do Interior britânico, Jack Straw recuando da posição adotada havia um mês, quando se disse inclinado a libertar o general por razões de saúde , afirmava que estava pronto para tornar público o laudo médico, se a Justiça assim o exigisse.
Oficialmente, os três juízes da Alta Corte encerraram ontem a etapa do processo na qual foi acatado o recurso apresentado pelo governo da Bélgica e por seis entidades de direitos humanos que alegam a ilegalidade da eventual libertação de Pinochet por Straw.
Assim, a autorização para que o ex-ditador retorne ao Chile tida como iminente até a semana passada não deve ser dada pelo ministro do Interior até que o mérito do recurso belga seja julgado na própria Alta Corte e todas as apelações posteriores sejam analisadas pela Câmara dos Lordes, a máxima instância da Justiça britânica.
Segundo especialistas, o desfecho do caso não deverá ocorrer antes de um ano. Na condição de ministro do Interior, Straw tem poderes para sobrepor-se ao Judiciário e conceder o benefício judiciário a quem quer que seja. Mas ele já deixou claro que não tomará nenhuma medida sobre o caso Pinochet antes de estarem esgotadas todas as instância judiciais.
Em Santiago, grupos simpatizantes do ex-ditador entregaram ontem uma carta no Ministério das Relações Exteriores exortando o governo do Chile a romper relações com a Bélgica. Pinochet, de 84 anos, está detido em Londres desde outubro de 1998, acusado de crimes contra a humanidade cometidos durante seu regime, de 1973 a 1990.





