Corte argentina sentencia ex-ditador a 20 anos
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sexta-feira, 27 de maio de 2016
Folhapress 
São Paulo - Uma corte federal argentina sentenciou ontem o último ditador do país, Reynaldo Bignone, a 20 anos de prisão por crimes durante a Operação Condor. A operação foi uma aliança entre os governos militares de países da América do Sul, acertada numa reunião em novembro de 1975, em Santiago - com o Brasil passando a fazer parte do bloco logo depois. O símbolo escolhido para nomear o pacto foi o da imensa ave que sobrevoa a região andina do continente.
Bignone já cumpre sentenças de prisão perpétua por múltiplas violações de direitos humanos durante da ditadura militar (1976-1983). Devem receber sua sentença outros 17 ex-militares acusados de participar de ações conjuntas de repressão envolvendo troca de inteligência e de agentes entre Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai.
No julgamento, foram investigados os desaparecimentos de 108 pessoas (argentinos, uruguaios, paraguaios, bolivianos e um peruano) na Argentina. É o primeiro julgamento conjunto de casos relacionados à Operação Condor e o único a ultrapassar as fronteiras da Argentina - das 108 vítimas, 93 são estrangeiras.
Para driblar as leis de anistia que seguem em vigor em alguns países, como o Uruguai, fez-se o uso da figura do "delito permanente" [que considera que o crime que continua sendo cometido], pelo fato de os corpos das vítimas em questão jamais terem sido encontrados.


