Corte anula eleições na Ucrânia
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sábado, 04 de dezembro de 2004
Olga Nedbaeva<br> France Presse 
Kiev- A Corte Suprema ucraniana anulou ontem a eleição presidencial do dia 21 de novembro e ordenou um novo segundo turno no dia 26 de dezembro, uma vitória para a oposição que vê suas mais importantes reivindicações reconhecidas pela Justiça. ''Ordenamos à Comissão Eleitoral Central que determine a data de um novo segundo turno'', anunciou o presidente da Corte Suprema, Anatoli Iarema, depois de uma deliberação de mais de sete horas dos magistrados.
Os advogados do líder opositor Viktor Yuschenko especificaram que, segundo o artigo da lei citado pela Corte, o novo segundo turno deve ser organizado três semanas depois do dia 5 de dezembro, ou seja, em 26 de dezembro.
O segundo turno da eleição presidencial de 21 de novembro, cujo vencedor foi o primeiro-ministro pró-russo Viktor Yanukovitch, foi anulado por causa da constatação de graves irregularidades. Esta decisão ''é definitiva, e não pode ser sujeita a uma apelação'', destacou Iarema, que examinava desde segunda-feira a demanda da oposição.
Na sala de audiências, os partidários de Yuschenko manifestaram sua satisfação. ''Teremos um novo presidente antes do Ano Novo'', garantiu Mykola Kateryntchuk, um deputado da oposição. ''É uma grande vitória para a democracia, uma decisão histórica da Corte que protegeu os direitos do povo ucraniano'', acrescentou.
No entanto, a Corte rejeitou o pedido formulado pela oposição de que Yuschenko, vencedor do primeiro turno, seja proclamado presidente. Diante do edifício da Corte e na praça da Independência, onde acampam milhares de manifestantes, partidários da oposição se beijavam e choravam depois de ter visto e ouvido em uma tela gigante o apresentador do canal opositor Kanal 5 anunciar: ''Meus amigos, minhas irmãs, meus irmãos, Deus ouviu nossas preces''.
A Comissão Eleitoral Central deve agora definir oficialmente a data para um novo segundo turno, em uma decisão que ainda deverá ser aprovada pelo Parlamento. Os deputados deverão antes modificar nos próximos dias a lei eleitoral, que não prevê a repetição de um segundo turno.
A oposição, que não conta com a maioria no Parlamento, exige que esta reforma entre em vigor em 2006, durante as eleições legislativas. ''Depois da aprovação da reforma constitucional, o gabinete vai renunciar e um novo governo será formado'', explicou Kutchma na noite de quinta-feira, pedindo a instauração de um ''governo parlamentar''.


