Corrupção também em Israel
France Presse
De Jerusalém
O presidente israelense, Ezer Weizman, ficou desacreditado ontem após as denúncias publicadas que o colocam como centro de um caso de transferência suspeita de fundos no valor de 500 mil dólares.
O conselheiro jurídico do govero, Eliakim Rubinstein, ordenou a seus colaboradores que recolham informações e documentos relacionados com o assunto, disse ontem o porta-voz do Ministério da Justiça, Ido Baum.
Rubinstein não ordenou a investigação judicial de Weizman mas nesta etapa simplesmente pediu que dê informações e documentos relativos às transferências em questão, informou à France Presse o porta-voz Ido Baum.
Se as respostas de Weizman nos satisfazem, tanto melhor. Caso contrário, será um assunto delicado investigar sobre o chefe de Estado, continuou.
Ex-chefe da Aeronáutica, ex-ministro da Defesa, conhecido por sua linguagem franca e seu humor cáustico, Weizman, de 76 anos, concluiu em maio de 1998 um primeiro mandato presidencial de 5 anos.
Trabalhista, este ex-falcão transformado em pacifista após os acordos com o Egito, foi reeleito presidente por voto de mão levantada da Knesset (Parlamento israelense), mandato que a princípio deverá se prolongar até 2003.
Weizman não fez nada ilegal e seu conselheiro jurídico Hanina Brandes se dispõe a entregar ou já o fez ao promotor do Estado todos os documentos relacionados com o caso, informou Batya Keinan, porta-voz da presidência do Estado.
Quinhentos mil dólares foram depositados na conta de Weizman sob a forma de transferências mensais por um poderoso homem de negócios francês estabelecido em Mônaco, Eduard Saroussi, entre 1989 e 1993, admitiu a Presidência do Estado.
As transferências mensais variaram de 3.500 a 10.000 dólares e foram transferidos para contas bancárias privadas em nome de Weizman, sua esposa e sua filha, segundo os jornais israelenses.
Ele deve renunciar agora mesmo, sem tardar, porque lhe falta a integridade exigida a uma personalidade de seu nível e nem mesmo compreende que agiu mal, escreveu esta segunda-feira em seu editorial o jornal Haaretz.
Segundo a rádio israelense, Rubinstein e a promotora do Estado, Edna Arbel, devem verificar a legalidade destas transferências monetárias, para esclarecer se tinham que ter sido esclarecidas para a Fazenda e se constituem uma infração relacionada com a lei de financiamento dos partidos.
Weizman dirigiu durante um tempo o partido político de centro Jahad.
O escândalo Weizman explodiu em um momento em que impera uma atmosfera muito calorosa no âmbito da classe política israelense. O ex-primeiro-ministro Benjamin Netanyahu é investigado há meses por corrupção.
Enquanto isso, Arié Deri, ex-chefe do Shass, terceiro partido israelense, com 17 deputados, apelou ante a Suprema Corte da sentença judicial que o condenou a quatro anos de prisão, também por corrupção.
O Likud oposição de direita anunciou ontem que apresentou uma moção de censura contra o primeiro-ministro Ehud Barak, reprovando sua vitória eleitoral de maio conquistada, segundo ele, por meio de associações suspeitas de financiamento.
Segundo declarações de seus assessores, Weizman alegou em sua defesa que a maioria dos fundos oferecidos por Saroussi foram gastos com seu filho Shaul, gravemente ferido com um tiro na cabeça por um soldado egípcio em 1969 e morto em acidente de trânsito em 1991.





