Os esforços do presidente Carlos Menem pelos seus candidatos nas eleições deste domingo podem prejudicá-los. Seus correligionários evitam aparecer ao lado do presidente, que possui apenas 18% de aprovação popular.
Há dois anos, imploravam uma foto ao lado dele. Apesar de recordes históricos na dívida externa (US$ 100 bilhões, dos quais US$ 60 bilhões contraídos sob sua administração), da taxa de desemprego de 16% e de índices de pobreza nas províncias do norte comparadas pelas Nações Unidas aos de Namíbia e Botsuana, Menem afirma que a Argentina está melhor do que nunca.
O surgimento da Aliança opositora é visto como um ressurgimento da bipolaridade de partidos, afirmou à Agência Estado o presidente da União Cívica Radical (UCR) e candidato a deputado pela Aliança na capital argentina, Rodolfo Terragno. ‘‘No Brasil e no Chile governa uma aliança, mas aqui se formou uma aliança opositora e o mesmo ocorreu no México’’, disse Terragno. ‘‘Estão ressurgindo condições de bipolaridade: um pólo representa as aspirações mais igualitárias e o outro, de concentração econômica.’’ Para Rodolfo Terragno, ‘‘o peronismo nunca encontrou contrapesos no governo’’.
A senadora Graciela Meijide, o nome que ultimamente mais tem sido indicado como ‘‘presidenciável’’ defende-se dos ataques de Menem. Ele sustenta que a Aliança ‘‘começará a morrer no dia seguinte às eleições’’. Segundo Graciela, ‘‘a coalizão é necessária porque muitos dos problemas do país são estruturais e não podem ser resolvidos por um só partido’’. Para ela, ‘‘isso requer um compromisso mais amplo, de muitos setores’’.

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