São Paulo - O presidente do Equador, Rafael Correa, afirmou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que foi vítima de uma tentativa de golpe ontem, quando uma rebelião de um grupo da Polícia Nacional equatoriana -apoiada por pelo menos uma facção militar - atingiu parte do país. Lula falou por telefone com Correa por volta das 13h55 de ontem. Foi o primeiro contato entre os dois presidentes desde o início dos protestos e a conversa durou dez minutos. Lula prestou solidariedade e reafirmou o apoio do governo brasileiro ao colega.
  Correa, que chegou a ser hospitalizado depois de ser atingido por gás lacrimogêneo, durante tentativa de diálogo com os policiais rebelados, relatou a Lula que a situação no país já está mais calma. Os protestos levaram o governo equatoriano a decretar estado de exceção por cinco dias.
  Mais cedo, Lula já tinha classificado a rebelião no Equador como ‘‘burrice’’. ‘‘Esse tipo de tentativa de derrubar presidente eleito não é correto, a polícia jogar bomba em presidente é menos correto ainda’’, disse Lula a jornalistas após participar de um evento em São Bernardo do Campo, em São Paulo.
  ‘‘Não existe no mundo ninguém que concorde com golpe. Os golpistas do Equador já devem estar arrependidos da burrice que fizeram’’, acrescentou o presidente. ‘‘No próximo domingo, nós vamos dar uma demonstração do que é a democracia, [mostrar] que presidente eleito deve ser respeitado’’, disse ainda Lula, referindo-se às eleições presidenciais do próximo dia 3.
  Na quinta-feira, de acordo com o presidente, o embaixador do Brasil no Equador, Fernando Simas Magalhães, esteve no hospital onde Correa ficou internado, mas não conseguiu falar com o presidente equatoriano.
  A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, também ligou para Correa para manifestar seu apoio, informou o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Phillip Crowley. ‘‘Esta manhã, a secretária falou por dez minutos com o presidente Correa, do Equador. Ela expressou seu apoio ao presidente e ao governo equatoriano e fez votos pela rápida e pacífica restauração da ordem’’, disse Crowley a jornalistas.
  Os Estados Unidos deploraram ontem os atos de violência realizados contra Correa. ‘‘O governo respondeu eficazmente’’, disse Crowley, que cumprimentou as declarações de chefes militares no Equador, que manifestaram seu apoio a Correa. ‘‘Esses são o tipo de ações necessárias para resolver isso, com uma afirmação dos valores democráticos, e isso é o que queremos para o Equador’’, disse o porta-voz.
  Durante essa ligação, Hillary escutou de Correa um relato dos fatos de quinta-feira e ambos concordaram em ‘‘trabalhar juntos para fortalecer as instituições equatorianas e o Estado de direito’’, afirmou.
Protesto
  A rebelião teve início pela manhã de quinta-feira, quando policiais tomaram um regimento na capital. O motivo alegado foi a ratificação, na véspera, de uma lei que acaba com o pagamento de bônus por condecoração a oficiais da polícia e das Forças Armadas.
  Os rebelados exigiam ainda a destituição do comando da força de 20 mil homens, que é subordinada ao Ministério de Governo (equivalente à Casa Civil brasileira). Em horas, os rebeldes haviam ateado fogo em pneus e erguido barricadas em Quito, Guayaquil e outras cidades.

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