Corpo de general é trasladado para o Brasil
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terça-feira, 10 de janeiro de 2006
Agência Estado 
Porto Príncipe - Depois de uma reunião com representantes da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), diplomatas e militares brasileiros decidiram ontem de manhã, em Porto Príncipe, transportar o corpo do general Urano Teixeira da Mata Bacellar imediatamente para o Brasil, dispensando formalidades que pudessem adiar o traslado por mais alguns dias.
O corpo do general Bacellar, que morreu na manhã de sábado em seu apartamento no Hotel Montana, em Petion Ville, foi congelado, em vez de ser embalsamado, para não atrasar o embarque, previsto para as 20h de ontem (23h no horário de Brasília), num avião Hercules da Força Aérea Brasileira. O atestado de óbito, providenciado pela Embaixada do Brasil, registrou parada cardíaca como causa da morte.
O avião voaria inicialmente para o Rio, mas à tarde ficou resolvido que pousaria em Brasília, onde será feita a autópsia. Essa decisão foi tomada, segundo fonte da Embaixada em Porto Príncipe, para poupar mais sofrimento à família do general, cuja mulher mora no Rio. Só com o laudo da autópsia será possível saber se o general Bacellar, que era comandante da Força Militar da Minustah, de cerca de 7.300 homens de 20 países, se suicidou ou foi assassinado.
Os peritos das Nações Unidas que examinaram o corpo partiram da hipótese de assassinato, presumivelmente atentado, e insistiram nessa premissa enquanto puderam. Como nada levava a isso e tudo contribuía para confirmar a hipótese de suicídio, as investigações tomaram esse rumo. ''Há mais de 99% de chance de ter sido mesmo suicídio, mas só com a biópsia se poderá afirmar o que de fato ocorreu'', comentou um diplomata.
Sem se referir a porcentagens, o embaixador do Brasil no Haiti, Paulo Cordeiro de Andrade Pinto, disse que, embora se considere essa probabilidade, outras hipóteses, como o assassinato, não foram ainda descartadas. O embaixador falou sobre a morte do general após participar de uma homenagem à sua memória no pátio do hospital militar da Minustah, dirigido pelos argentinos, onde o corpo foi conservado em câmara fria.


