Coréias testam rota terrestre
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quinta-feira, 06 de fevereiro de 2003
Kim Jae-Hwan<br> France Presse 
Goseong, Coréia do Sul - Uma delegação do governo sul-coreano passou ontem pela zona fortificada que separa as duas Coréias há meio século, simbolizando a política de aproximação dos dois países, apesar da tensão provocada pela retomada do programa nuclear de Pyongyang.
Foi a primeira vez que os sul-coreanos utilizaram esse caminho para ir ao norte. Houve visitas em anos anteriores, mas realizadas de barco. No início de sua política de reconciliação, os dois regimes rivais decidiram tirar as minas da fronteira que os separa desde o fim da Guerra da Coréia, em 1953.
A delegação, que viajou em dez ônibus, composta por uma centena de representantes da empresa Hyundai e convidados, atravessou a fronteira sob o olhar de soldados sul-coreanos, norte-coreanos e americanos. Os viajantes foram à estação turística do monte Kumgang, a cerca de 30 km ao norte.
O comboio viajou através de uma rota ainda provisória que passa pela costa oriental da península e atravessa uma zona desmilitarizada tampão de de 4 km de comprimento que era até agora uma barreira entre os dois países. Se tudo correr bem nas duas jornadas de negociação, a Hyundai pretende organizar até o fim deste mês uma viagem de 400 convidados a Kumgang.
A comunicação terrestre é um dos projetos principais decididos durante a reunião de cúpula entre o dirigente norte-coreano Kim Jong-Il e o presidente sul-coreano Kim Dae-Jung em junho de 2000. O projeto prevê a construção de ferrovias no leste e oeste da península em direção da Rússia e China.
''Estou feliz por ver a abertura de uma rota entre a Coréia do Norte e do Sul depois de muitas dificuldades. Espero que a rota acelere os intercâmbios e a cooperação intercoreanas'', disse a porta-voz da presidência sul-coreana, Park Sun-Sook.
A abertura de uma via terrestre na zona desmilitarizada - última fronteira da guerra fria - foi adiada várias vezes.
A delegação sul-coreana é liderada por um empresário, Chung Mong-Hun, do grupo Hyundai, que tem investido muito na aproximação dos dois países. Chung está envolvido em um escândalo sobre um suposto pagamento de subornos no valor de 200 milhões de dólares, que teria sido dado ao regime de Pyongyang antes da reunião de cúpula histórica que iniciou a aproximação entre o norte e o sul.
No fim da semana passado, a Coréia do Norte ameaçou anular os projetos de cooperação econômica e humanitária com o sul se suas relações com a Hyundai fossem questionadas.


