Coréias iniciam conversações
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segunda-feira, 12 de junho de 2000
France Presse De Seul 
Uma cúpula sem precedentes acontecerá hoje em Pyongyang entre o presidente da Coréia do Sul, Kim Dae-Jung, e o ditador da Coréia do Norte comunista, Kim Jong-Il, depois de um adiamento de 24 horas imposto por este último.
Seul mantém total silêncio sobre o horário e a modalidade deste primeiro encontro por causa do caráter de desconfiança do líder da Coréia do Norte.
Os motivos técnicos invocados para impor o adiamento no último minuto da cúpula foram interpretados em Seul como uma advertência diante das revelações da imprensa sul-coreana. Em geral, a Coréia do Norte anuncia as visitas de Estado depois que elas terminam.
Kim Dae-Jung, que viaja acompanhado de 180 pessoas, entre as quais há 50 jornalistas, partirá hoje de manhã para Pyongyang no primeiro vôo entre os dois países depois da guerra de 1950-1953.
Devido as restrições impostas pela Coréia do Norte, mil jornalistas vindos de todo o mundo para informar sobre o acontecimento deverão se limitar a observar por um telão a transmissão de um centro de imprensa instalado num hotel no centro de Seul.
Em Pyongyag, os dois governantes se reunirão em várias oportunidades a portas fechadas hoje e amanhã, terminando com um encontro em que participarão ministros e altos funcionários. A comitiva sul-coreana regressará por via terrestre na quinta-feira. A caravana atravessará a aldeia de Panmunjom, única passagem entre os dois países, separados por uma zona desmilitarizada.
O presidente sul-coreano, diante de seu misterioso e evasivo interlocutor, já anunciou que tratará todas as questões sem temor. Os temas tratados nesta cúpula têm grande importância.
Os países ocidentais estão preocupados pela tecnologia nuclear e os mísseis balísticos da Coréia do Norte. Washington expressou sua satisfação com a conferência, mas o governo americano teme que as duas Coréias terminem entrando num acordo sobre a retirada dos 37 mil soldados americanos que seguem acantonados no sul.
Pyongyang se vê obrigado a se aproximar de seu vizinho do sul por causa da fome que assola seu território. Segundo as organizações humanitárias, a falta de alimentos já deixou dois milhões de mortos em cinco anos no país.


