Coréias dão início a encontro histórico
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terça-feira, 13 de junho de 2000
Associated Press De Seul 
De eremita a superstar: Kim Jong-il pelo menos por um dia transformou-se em um míssil da mídia global. A Coréia do Sul, e as grandes capitais do mundo, ainda estão sob o choque do futuro: as imagens até há pouco inadmissíveis do Grande Líder norte-coreano apertando a mão do presidente sul-coreano Kim Dae-Jung no próprio aeroporto de Pyongyang; e as imagens de sua primeira conversa relativamente descontraída, de menos de meia hora, ontem de manhã.
Nem mesmo funcionários do governo sul-coreano esperavam este espetacular coup de thêatre. Kim Du-hyon, do Ministério da Unificação, confirmou ao Estado: É um sinal muito auspicioso; isso significa que eles estão levando o encontro a sério.
Ontem, os dois Kim concordaram em discutir o tema geral de reconciliação, cooperação e paz entre as Coréias. Hoje, na primeira cúpula oficial, discute-se substância. A espinha dorsal do argumento do Sul é a promessa de DJ em março, em uma Berlim também outrora dividida de trabalhar para promover o fim da guerra fria na península. Como primeiro passo prático, DJ deve explicar em detalhes seu miniplano Marshall para ajudar o Norte a expandir e modernizar sua caquética infra-estrutura fábricas, portos, estradas e estações de geração de energia.
Esta é a primeira vez que Kim Jong-il envergando seu proverbial uniforme Mao e revelando a necessidade de praticar algumas flexões abdominais aparece em uma transmissão de TV ao vivo, e ainda por cima via satélite para todo o planeta. Até hoje, ele só havia pronunciado uma frase em público: Glória ao heróico Exército do Povo, em 1992.
Não houve abraço de urso entre os dois Kim cena de rigor em encontros de líderes comunistas: apenas um aperto de mão. Na cerimônia de recepção altamente emocional não foram tocados hinos nacionais.
DJ, 78 anos, de acordo com um de seus assessores, saiu de Seul para uma verdadeira viagem ao desconhecido - ao som de uma canção sobre a reunificação, popularizada por dissidentes nos anos 70.
Suas últimas palavras em Seul foram rezem por mim. Antes declarou: Espero que este seja um ponto de convergência nos esforços para remover as ameaças de guerra e acabar com a Guerra Fria na Península Coreana para que os 70 milhões de cidadãos do sul e do norte possam viver em paz.
Depois de 67 minutos de vôo, jamais poderia imaginar sua entusiástica recepção em um aeroporto deliciosamente retrô, organizada por um Estado inimigo que ameaçava reduzir o Sul a um mar de fogo (sic). Suas primeiras palavras em Pyongyang provocaram lágrimas nos dois lados da fronteira mais militarizada do planeta: Eu vim aqui porque queria ver as montanhas e os rios do Norte, o que sempre quis até nos meus sonhos. DJ enfatizou somos um só povo. Dividimos o mesmo destino. Vamos dar-nos as mãos.
Em mais uma premiSre, os dois Kim entraram em Pyongyang juntos,na limusine Lincoln negra que pertencia ao Grande Líder Kim Il-sung. De acordo com o vice-ministro da Unificação, Yang Young-sik, pelo menos 600 mil pessoas se acumulavam nos 15 quilômetros de percurso, aos gritos de Kim Jong-il! a todos pulmões e, esporadicamente, Kim Dae-jung!, e agitando freneticamente azaléias de papel, rosas e vermelhas.
Na guest house estatal, onde DJ está hospedado, Kim Jong-il também estava descontraído: até reconheceu o ministro da Cultura e Turismo do sul, Park Jie-wan, que acertou a realização da cúpula em uma reunião secreta em Pequim, em abril. À tarde, DJ visitou o número 2 do regime, o falcão e chairman do Comitê da Suprema Assembléia Popular, Kim Yong-nam. Mais descontração: Yong-nam até aludiu que um dia, sem metáfora, os dois podem pegar juntos o trem da reunificação. O sul espera que a viagem, mesmo remota, comece hoje.


