A Coréia do Norte respondeu ontem pela primeira vez a uma proposta americana para reiniciar conversações, afirmando que qualquer contato deve começar com a discussão sobre compensações que, segundo considera, os EUA lhe devem por prejuízos econômicos.
O presidente americano George W. Bush ordenou em 8 de junho à sua equipe de política exterior que iniciasse contatos com Pyongyang relativos ao programa de fabricação de mísseis do país comunista e ao deslocamento de tropas norte-coreanas em direção à divisa com a Coréia do Sul.
Logo após assumir o poder, Bush adiou a reabertura das discussões entre Washington e Pyongyang iniciadas durante o governo anterior, dando tempo a sua equipe para revisar a política americana em relação à Coréia do Norte.
O governo norte-coreano rejeitou a agenda proposta pelos EUA indicando que as conversações deveriam concentrar-se na incapacidade americana de cumprir um acordo de 1994, que previa o congelamento, pela Coréia do Norte, do seu programa de fabricação de armamentos nucleares.
Por esse acordo, um consórcio internacional dirigido pelos EUA deveria proporcionar à Coréia do Norte dois reatores nucleares de geração de energia e água para 2003, mas o projeto de US$ 4,3 bilhões foi retardado por problemas de fundos e de tensões militares e políticas na Península Coreana.
‘‘A perda de eletriciade provocada pelo atraso na construção dos reatores para eletricidade e água devem ser considerados uma prioridade na agenda para as negociações’’, disse um porta-voz do ministério de Relações Exteriores da Coréia do Norte em uma transmissão pelo rádio captada em Seul.
Os EUA, por sua vez, haviam rejeitado as exigências anteriores de compensação feitas pela Coréia do Norte, alegando que a data de 2003, prevista pelo acordo, é apenas uma meta e não uma data-limite prefixada.
O porta-voz norte-coreano, que não se identificou pelo nome, além de queixar-se de Washington ter imposto unilateralmente uma agenda – apesar de dizer que não havia condições para as conversações –, acrescentou que não se discutirá uma redução de 1,1 milhão de soldados norte-coreanos na fronteira até que os EUA retirem sua presença militar da Coréia do Sul.
‘‘A agenda proposta pelos EUA trata do nosso armamento convencional, nuclear e de mísseis – o que não passa de uma tentativa de nos desarmar’’, disse. Os EUA não responderam de imediato às declarações da Coréia do Norte.

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