Coréia negocia acordo de armas nucleares
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de fevereiro de 2007
Jun Kwanwoo e Shigemi Sato<br>France Presse 
Pequim - As negociações sobre a questão nuclear da Coréia do Norte pareciam se encaminhar para um acordo ontem de manhã em Pequim, embora persistam certas divergências na hora de convencer Pyongyang a desmantelar seu programa nuclear, quatro meses depois de seu primeiro teste atômico.
O negociador americano, Christopher Hill, informou ontem que ainda havia ''um ou dois pontos divergentes'' após ter afirmado na sexta-feira que as reuniões se aproximavam de um compromisso. ''No fundo, trata-se de uma ou de duas divergências que podem ser consideradas como um único ponto de desacordo'', declarou Hill aos jornalistas sem especificar qual era o obstáculo.
''Não acho que este seja o maior problema, embora nunca se saiba aos olhos da Coréia do Norte. Veremos'', concluiu o emissário. Os participantes das discussões que reúnem seis países há três anos e meio (as duas Coréias, China, Estados Unidos, Rússia e Japão), negociam com base em um projeto de acordo apresentado pelas autoridades chinesas, anfitriãs destas negociações iniciadas em 2003.
A crise atual foi provocada pela decisão de Pyongyang no final de 2002 de retomar seu programa nuclear, violando um acordo firmado com os Estados Unidos em 1994. Segundo a imprensa sul-coreana, o texto estabelece que o regime de Pyongyang cancele nos próximos dois meses sua principal instalação nuclear, o reator de Yongbyon, 90 quilômetros ao norte da capital. Nele, é produzido plutônio que pode ser utilizado com fins militares.
Mas as discussões estariam emperradas no que diz respeito a certas palavras do texto, já que os americanos quiseram um ''fechamento'' de Yongbyon, enquanto os norte-coreanos insistem no ''congelamento'' da instalação. ''Hoje (sábado) e amanhã serão provavelmente dias cruciais'', afirmou o negociador sul-coreano Chun Yung Woo.
O anúncio de um acordo parecia improvável antes de domingo, já que os negociadores dos seis países devem obter previamente o aval de seus governos. O enviado japonês, Kenichiro Sasae, considerou que as negociações entravam em uma fase ''de parto difícil''.''É um tema de equilíbrio entre as concessões realizadas pela Coréia do Norte e as nossas para implementar a declaração conjunta'' de setembro de 2005, disse.
Durante a sessão de negociações em Pequim, a Coréia do Norte se comprometeu a abandonar seu programa nuclear e a se unir ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), que havia abandonado em junho de 2003, em troca da esperança de poder utilizar um dia a energia nuclear com fins civis e obter ajuda econômica e garantias de segurança.
Mas dois meses depois, voltou atrás para protestar contra sanções financeiras impostas por Washington a um Banco de Macau acusado de estar envolvido no tráfico de notas falsas para a conta de Pyongyang.


