Coreia do Sul reforça efetivo contra o vizinho
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sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Fabiano Maisonnave<BR> Folhapress 
Pequim, China - A Coreia do Sul anunciou ontem o reforço de suas tropas na fronteira com a Coreia do Norte, em reação ao bombardeio norte-coreano contra a ilha Yeonpyeong, na terça-feira O ataque deixou quatro mortos e aumentou ainda mais a tensão entre os dois países
Será reforçada a presença militar em Yeonpyeong e em outras quatro ilhas, segundo o porta-voz da Presidência sul-coreana, Hong Sang-pyo, segundo o qual há atualmente cerca de 4 mil soldados na região ''Não podemos baixar a guarda'', disse
Ainda ontem, o ministro da Defesa sul-coreano, Kim Tae-young, renunciou após críticas de que as forças militares demoraram a reagir ao ataque Kim foi duramente criticado no Congresso tanto pela oposição como pela base do presidente Lee Myung-bak, que aceitou a renúncia
O ministro já vinha sendo criticado desde março, quando uma embarcação da Marinha foi torpedeada e afundada em área próxima à da ilha atacada, no mar Amarelo O ataque, negado pela Coreia do Norte, deixou 46 mortos
Por causa do bombardeio, os militares sul-coreanos planejam criar um novo código de resposta a ataques da Coreia do Norte contra civis, informou a agência estatal de notícias Yonhap Segundo a versão sul-coreana, os fuzileiros navais demoraram 13 minutos para contra-atacar, tempo considerado adequado pelo comando militar do país
Seul está investigando se a Coreia do Norte utilizou bombas termobáricas contra Yeonpyeong Carregadas de combustível, elas têm mais poder de destruição do que explosivos convencionais No campo diplomático, a China, o principal aliado da Coreia do Norte, disse, por meio de sua Chancelaria, que está ''preocupada'' com os exercícios militares que serão realizados a partir de domingo com navios de guerra americanos e sul-coreanos
Durante visita à Rússia, o premiê Wen Jiabao disse que a China defende a ''paz e a estabilidade'' na península, mas que o país ''se opõe a qualquer ameaça de força''
Para os EUA, o exercício, que contará com a presença do imponente porta-aviões USS George Washington (75 aeronaves e 6 mil tripulantes), serve de recado também para a China: se continuar relutante em exercer mais pressão sobre Pyongyang, a presença militar americana crescerá na região
Em editorial ontem, o jornal nacionalista chinês ''Global Times'' chamou a aliança entre Coreia do Sul e EUA de ''arma inativa'' e criticou a pressão internacional para que a China seja mais incisiva contra a Coreia do Norte ''Quanto maior a distância entre a Coreia do Norte e os seus vizinhos, mais a região cairá em incerteza'', afirma
Já o analista Andrei Lankov, da Universidade Kookmin, em Seul, diz que a China sabota as sanções internacionais contra a Coreia do Norte, minando os esforços contra o regime de Kim Jong-il ''A China acredita que a instabilidade doméstica na Coreia do Norte é uma ameaça maior a seus interesses do que o programa nuclear norte-coreano, portanto não quer ver Pyongyang acuada'', escreveu Lankov no ''New York Times''


