São Paulo - A Coréia do Sul exigiu ontem que a Coréia do Norte não leve a cabo a pretensão de realizar um teste nuclear em breve, como anunciado terça-feira - o que causou a reação de várias governos, como Washington e Tóquio, além de Seul.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Coréia do Sul, Choo Kyu-ho, disse que o anúncio do possível teste nuclear causa ''grave preocupação e mal-estar'', apesar de a ousada iniciativa de Pyongyang ainda não possuir data determinada.
A celeuma que envolve a questão nuclear norte-coreana, assim como a iraniana, ganhou força em fevereiro, quando Pyongyang admitiu ter armas nucleares. Terça-feira, pela primeira vez, a Coréia do Norte externou sua intenção de realizar testes com tais armas a fim de exibir aos EUA sua capacidade bélica.
De acordo com o Ministério norte-coreano das Relações Exteriores, a prova de armas nucleares - classificada como um teste de defesa - é necessária devido à ''ameaça dos EUA de dar início a uma guerra nuclear, além das constantes pressões e e menções de represálias contra Pyongyang, como sanções econômicas''.
Ontem, a exemplo dos comentários de EUA e Japão, a Coréia do Sul disse que um teste nuclear seria inaceitável, além de pedir que o governo de Kim Jong-il (presidente da Coréia do Norte) abdique imediatamente de seus planos de testar armas nucleares. ''A coréia do Norte terá de arcar com as consequências de uma ação como essa'', informou pela TV um comunicado da Chancelaria sul-coreana.
Coréia do Norte, Irã e Iraque foram classificados pelo presidente George W. Bush, em janeiro de 2002, como ''eixos do mal''. À época, Bush também advertiu que esses países poderiam ser alvos da guerra antiterrorista se continuassem produzindo armas de destruição em massa e apoiando o terrorismo.
Desde a deposição do ditador Saddam Hussein após a invasão dos EUA ao Iraque, em março de 2003, nenhuma arma de destruição em massa foi encontrada em território iraquiano. Os EUA contam com o apoio de Pequim para tentar negociar o fim do programa nuclear da Coréia do Norte.
Desde novembro último, a Coréia do Norte boicota o diálogo multilateral para desmantelar seu arsenal de armas nucleares, do qual participavam também a Coréia do Sul, Japão, China, Rússia e EUA.
Para voltar às negociações, Pyongyang exige que Washington retire suas sanções. Em julho, a Coréia do Norte realizou sete testes de lançamento de mísseis, mas nenhum teve a potência de alcance intercontinental comprovada.
Especialistas consideram que a Coréia do Norte possui plutônio suficiente para carregar 11 bombas nucleares. Não há, no entanto, certeza se o país já desenvolveu o armamento.

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