São Paulo - A Coréia do Norte anunciou ontem a realização de um teste nuclear, em uma ação amplamente rejeitada pela comunidade internacional. Se confirmada a realização do teste, o país estará entre os nove do mundo que possuem armas nucleares, ao lado dos Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido, Índia, Paquistão e Israel.
Segundo a KCNA, agência de notícias oficial norte-coreana, o teste nuclear subterrâneo foi concluído ''com sucesso'' e ''não houve vazamento e energia nuclear''.
''O teste marca um evento histórico, bastante encorajado pela população norte-coreana, que sempre desejou ter a capacidade de auto-defesa'', disse a KCNA, acrescentando que a ação foi ''um grande passo na construção de uma nação socialista próspera e poderosa''.
Houve relatos conflitantes a respeito do tamanho da explosão. A Coréia do Sul indicou que ela foi relativamente pequena, mas, segundo a Rússia, a arma testada pode ser tão potente quanto as bombas nucleares lançadas contra o Japão durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
O centro de controle sísmico sul-coreano informou que um tremor de 3,6 graus foi sentido no momento em que o teste teria sido realizado. Já o ministro russo da Defesa, Serguei Ivanov, afirmou que a bomba atômica utilizada teve uma potência de ''5 a 15 quilotons''.
A bomba atômica que atingiu Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945, tinha poder destrutivo de cerca de 15 quilotons. Um quiloton é o equivalente a mil toneladas do explosivo TNT.
A suposta realização o teste causou reação da comunidade internacional e receio a respeito do risco de desestabilização da região. Os EUA pediram uma ''ação imediata'' do Conselho de Segurança da ONU e, ao lado do Japão, deve pedir a imposição de novas sanções ao país.
''Um teste nuclear da Coréia do Norte constituiria um ato provocativo, que desafia a posição da comunidade internacional e nosso apelo para deter tais ações, além de agravar as tensões no nordeste da Ásia'', disse o porta-voz da Casa Branca, Tony Snow.
''Nós esperamos que o Conselho de Segurança tome medidas imediatas para responder a este ato'', acrescentou Snow, dizendo que os EUA ''monitoram de perto a situação''.
Uma resolução do CS, adotada em julho último, impôs sanções contra a Coréia do Norte e exigiu o retorno do país às negociações em torno do tema. A Coréia do Norte rejeitou o pedido.

mockup