Coreia do Norte realiza sexto teste nuclear
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domingo, 03 de setembro de 2017
France Presse 
Seul - A Coreia do Norte realizou, neste domingo (3), seu sexto teste nuclear, o mais poderoso até a data, afirmando ter testado uma bomba de hidrogênio, em um novo desafio para Donald Trump, que criticou ações "hostis e perigosas". O presidente americano, que havia prometido "o fogo e a cólera" se Pyongyang continuasse a proferir ameaças contra Washington e seus aliados, considerou ainda que a política de "apaziguamento" com a Coreia do Norte está fadada ao fracasso. Ele irá se reunir neste domingo com a sua equipe de Segurança Nacional, segundo a Casa Branca, enquanto o Tesouro americano vai preparar uma série de novas sanções.
Em um primeiro momento, as agências geológicas estrangeiras detectaram um terremoto de 6,3 de magnitude perto do principal local de testes nucleares da Coreia do Norte, em Punggye-Ri, no nordeste do país. Logo em seguida, Tóquio confirmou se tratar de um teste nuclear. E algumas horas depois, uma apresentadora da televisão pública norte-coreana anunciou, em um tom de júbilo, "o teste de uma bomba de hidrogênio" que foi "um perfeito sucesso". A bomba, "de poder sem precedentes", marca "uma ocasião muito importante, a de termos alcançado o objetivo final de fortalecer a força nuclear do Estado", acrescentou.
A comunidade internacional não tardou a reagir. "A Coreia do Norte realizou um teste nuclear importante. Suas palavras e suas ações continuam muito hostis e perigosas para os Estados Unidos", escreveu Trump no Twitter.
Pequim, Moscou, Tóquio, Seul e Paris condenaram esta nova violação das múltiplas resoluções da ONU exigindo o fim dos programas nuclear e balístico da Coreia do Norte.
A Rússia acrescentou um apelo à calma, enquanto o presidente sul-coreano, Moon Jae-In, pediu "uma punição mais forte", incluindo sanções da ONU, contra o governo vizinho.
Já a chanceler alemã Angela Merkel e o presidente francês Emmanuel Macron defenderam "um endurecimento" das sanções da União Europeia contra o regime comunista.
Em uma conversa por telefone, os dois líderes consideraram "que a última provocação do líder em Pyongyang atingiu uma nova dimensão", segundo um comunicado.
Poucas horas antes do teste, a televisão estatal norte-coreana KCNA exibiu imagens mostrando o líder norte-coreano inspecionando o que estava sendo apresentado como uma bomba H (de hidrogênio ou termonuclear) que poderia ser instalada no novo míssil balístico intercontinental norte-coreano.
Muito mais potente
As bombas H são muito mais poderosas do que as bombas atômicas convencionais que a Coreia do Norte já testou.
O dispositivo é "uma bomba termonuclear muito poderosa fabricada por nossos esforços e tecnologia", indicou a KCNA. Kim ressaltou, por sua vez, que "todos os componentes desta bomba H foram feitos 100% nacionalmente", de acordo com a agência.
De acordo com especialistas sul-coreanos, o poder do novo teste foi de cinco a seis vezes maior do que no teste anterior, em setembro de 2016. Na época, a Coreia do Norte detonou uma bomba de 10 quilotons.
Independentemente do poder de deflagração, Jeffrey Lewis, do site armscontrolwonk.com, estimou se tratar de uma arma termonuclear, o que constitui um passo notável nos programas de mísseis nucleares e balísticos da Coreia do Norte, proibidos pela comunidade internacional.
Um terremoto de 4,6 de magnitude também abalou a Coreia do Norte, menos de dez minutos após o primeiro tremor, segundo o Centro chinês de vigilância sismológica. Ele apresentou a hipótese de "colapso", o que sugere que a deflagração pode ter causado o desmoronamento da rocha acima do local da explosão.
A Coreia do Norte nunca escondeu o fato de que seus programas proibidos visavam o desenvolvimento de mísseis balísticos intercontinentais capazes de transportar explosivos nucleares ao continente americano. O país defende sua estratégia militarista pela ameaça que representa à sua sobrevivência o arsenal americano.


