Militares se reuniram em Pyongyang para exibir sua força ao líder Kim Jong-un
Militares se reuniram em Pyongyang para exibir sua força ao líder Kim Jong-un | Foto: KCNA via KNS/AFP



Pequim - O exército norte-coreano prometeu uma "resposta sem piedade" a qualquer provocação americana, em meio a tensões crescentes com os Estados Unidos. Um comunicado da agência estatal KCNA, citando o recente ataque aéreo americano contra a Síria, afirma que o governo do presidente Donald Trump "entrou em um caminho de ameaças e chantagens abertas" em relação à Coreia do Norte.

Na quinta-feira (13), Trump prometeu que o "problema norte-coreano seria tratado". Ele havia anunciado o envio à península coreana do porta-aviões Carl Vinson, escoltado por três navios lança-mísseis, e depois falou de uma "armada", incluindo submarinos.

Em seu comunicado publicado pela KCNA, o exército norte-coreano assegura que as bases americanas na Coreia do Sul, "bem como todos os quartéis do Mal, incluindo (o palácio presidencial sul-coreano) a Casa Azul, serão pulverizados em alguns minutos". "Quanto maiores os alvos como porta-aviões à propulsão nuclear se aproximam (da península coreana), maiores serão os efeitos dos ataques sem piedade", acrescentou.

Na tarde desta sexta, as forças militares da Coreia do Norte se reuniram em Pyongyang para exibir sua força ao líder Kim Jong-un. Centenas de caminhões cheios de soldados se alinhavam às margens do rio Taedong antes do amanhecer para um desfile na capital do país. O evento irá comemorar o 105º aniversário do avô de Kim, o fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung, uma data conhecida como o "Dia do Sol" na República Popular Democrática da Coreia.

Entretanto, a celebração também tem a intenção de enviar uma mensagem a Washington, Seul, Tóquio e outras capitais sobre o poderio militar da Coreia do Norte. Pyongyang enfrenta inúmeras sanções da ONU por conta de seus programas de mísseis atômicos e balísticos, e tem a ambição de construir um foguete capaz de atingir o território americano. Já foram realizados cinco testes nucleares - dois deles em 2016 - e vários lançamentos de mísseis, um dos quais fez com que três foguetes caíssem em águas próximas ao Japão em março.

Especulações sobre uma sexta explosão nos próximos dias, coincidindo com o aniversário, atingiram seu ponto máximo quando um especialista do site americano 38North disse que o teste Punggye-ri estava "pronto". Nesse contexto,funcionários da Casa Branca afirmaram que as opções militares "estavam sendo avaliadas".
Trump já enviou o porta-aviões USS Carl Vinson e um grupo militar para acompanhar de perto a península coreana. "Estamos enviando uma armada. (Ela é) muito poderosa", disse Trump à Fox Business Network. "Ele está fazendo a coisa errada", acrescentou falando sobre Kim. "Ele está cometendo um grande erro."

A China, o maior aliado do país, e a Rússia pediram moderação, mas o ministro das Relações Exteriores de Pequim, Wang Yi, advertiu nesta sexta-feira que "o conflito pode começar a qualquer momento". "O diálogo é o único caminho", insistiu o ministro durante uma coletiva de imprensa em Pequim com o seu colega francês Jean-Marc Ayrault. Qualquer um que possa causar um conflito na península coreana "assumirá uma responsabilidade histórica e pagará o preço", alertou.

Por sua vez, a Rússia, "muito preocupada", exortou todas as partes a manter a calma e advertiu contra "qualquer ação que possa ser interpretada como uma provocação".

SINAL
Uma semana após bombardear uma base aérea do regime sírio no centro da Síria, os Estados Unidos de Donald Trump lançaram na quinta-feira a sua bomba não nuclear mais poderosa no Afeganistão. De potência comparável a 11 toneladas de TNT, a bomba matou pelo menos 36 membros do grupo jihadista Estado Islâmico (EI), de acordo com o governo afegão. O lançamento da bomba tem sido amplamente interpretado como um sinal enviado à Coreia do Norte.

"As opções militares já estão sendo estudadas" sobre a Coreia do Norte, declarou, nesta sexta um assessor de política externa da Casa Branca, sob condição de anonimato, acrescentando que espera que Pyongyang realize um novo teste de mísseis balísticos ou nuclear. "Com este regime, a questão não é saber se (isso vai acontecer), mas apenas quando", acrescentou.

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