São Paulo - O governo norte-coreano pediu ontem o fortalecimento do Exército e a derrota dos Estados Unidos, enquanto as tensões se agravam pela suspeita de que o país tenha testado uma bomba nuclear. ''O Exército e a população devem se fortalecer e defender firmemente nossa ideologia, sistema e a cauda da justiça, que certamente nos dará uma vitória histórica sobre os EUA neste impasse'', afirmou o vice-presidente norte-coreano, Kim Yong Nam, em discurso exibido na TV.
Os comentários de Nam acontecem uma semana depois que seu país anunciou ter realizado um teste nuclear. A suposta explosão causou o início de uma campanha americana para aplicar sanções do Conselho de Segurança (CS) da ONU contra a Coréia do Norte. Em seu discurso, Nam não citou o pacote de sanções aprovado pelo CS no último sábado.
O vice-líder norte-coreano disse ainda que o teste nuclear ''foi um sucesso'' e contribuirá para preservar a paz e a estabilidade na península coreana e na região.
Segundo ele, a condução do teste visava ''neutralizar a ameaça nuclear dos inimigos'' e suas ''sanções e pressões'', dizendo que as tentativas dos EUA de ''isolar e derrubar'' o governo norte-coreano ''chegaram ao ápice''. A Coréia do Norte acusa os EUA de conspirarem para derrubar seu regime, apesar de os EUA negarem qualquer intenção de atacar o país.
Os EUA pressionam para que a China tome ações mais duras contra a Coréia do Norte, pouco antes do início da visita da secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, à Ásia.
Rice começa hoje a visita à região para uma série de conversas visando amenizar as tensões entre os países envolvidos na questão nuclear norte-coreana.
A China, que votou no sábado a favor das sanções propostas pelos EUA, barrou a permissão para inspeção de cargas com o objetivo de impedir a entrada de armas e tecnologia. ''Estou certa de que a China irá cumprir suas responsabilidades'', afirmou Rice.
O senador democrata John Kerry afirmou ontem que o governo de George W. Bush vive ''em uma completa fantasia'' em relação à sua política externa, que qualificou de ''um fracasso''.

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