Washington Cientistas sul-coreanos clonaram pela primeira vez no mundo células-mãe maduras de embriões humanos, o que parece ser um avanço rumo ao desenvolvimento de novos métodos para o tratamento de uma ampla gama de males degenerativos, informou um grupo de cientistas americanos. É provável, porém, que a polêmica experiência anunciada ontem gere novas preocupações sobre a clonagem de seres humanos, cujas tentativas têm sido amplamente criticadas nos Estados Unidos e outros países.
''Pelo fato destas células-mãe carregarem o genoma nuclear do indivíduo, após a diferenciação pode-se esperar que sejam transplantadas sem rejeição imunológica para o tratamento de problemas degenerativos'', explicou Woo Suk Hwang, da Universidade Nacional de Seul, principal pesquisador do projeto.
''Nossa pesquisa abre a porta para o uso destas células especialmente desenvolvidas na medicina de transplantes'', acrescentou no comunicado divulgado pela Associação Americana para o Avanço da Ciência, que publicou um resumo do estudo antes de sua reunião anual, que começa hoje em Seattle, Washington.
O resumo mostrou que Woo e um grupo de cientistas sul-coreanos conseguiram produzir células-mãe versáteis, a partir de partes de células não-reprodutivas de mulheres, que foram transplantadas nos óvulos das mesmas mulheres. Segundo o documento, blastócitos (precursores do feto), produzidos a partir desta transferência, criaram uma massa celular que foi utilizada para coletar células-mãe embrionárias bem desenvolvidas.
O método foi empregado para desenvolver uma célula-mãe humana completa, a partir de um total de 242 óvulos coletados de 16 mulheres, todas voluntárias. Estes óvulos tornaram possível produzir um total de 30 blastócitos e obter 20 massas celulares internas adequadas.
Segundo os pesquisadores, as células-mãe resultantes se diferenciaram em todos os principais tipos de tecido que aparecem nos primeiros estágios do desenvolvimento humano. Quando transplantadas em ratos, as células-mãe se diferenciaram em ainda mais tipos celulares específicos, dando mostras de sua versatilidade.
A chave para o sucesso da experiência, segundo os pesquisadores, consistiu no uso de óvulos extremamente frescos das doadoras e um método especial para extrair o DNA dos óvulos.
Segundo os cientistas americanos, a experiência já tinha sido aplicada para desenvolver células-mãe de ratos, mas até agora ninguém tinha conseguido realizá-la com sucesso em humanos.
Os especialistas disseram que a experiência sul-coreana pode representar um grande passo rumo ao desenvolvimento de novos métodos de cura para doenças sérias e crônicas, como o diabetes, a artrite óssea, o mal de Parkinson e outras.
Eles argumentaram que a clonagem terapêutica tem o potencial de produzir células humanas de reposição que não produzem rejeição do sistema imunológico. ''Mas é importante lembrar que as células, o transplante de tecidos e a terapia genética ainda são uma tecnologia emergente e pode levar anos para que as células-mãe possam ser utilizadas na medicina de transplantes'', advertiu Donald Kennedy, editor-chefe da revista Science.

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