Coreano pede a Lula o fim da guerra fiscal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 24 de maio de 2005
Agência Estado 
Seul - Com discurso pronto nas mãos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ouviu do principal executivo da Samsung Eletronics, o vice-presidente Yun Jong-Yong, quatro advertências para que as empresas coreanas possam iniciar o esperado ciclo de investimentos no Brasil. Jong-Yong alertou para a necessidade do fim da guerra fiscal entre os Estados, do alinhamento dos incentivos fiscais brasileiros aos dos outros países, da diminuição da burocracia e da estabilidade das regras do jogo.
O presidente brasileiro escutou as advertências, mas não fugiu do roteiro para respondê-las. Em descompasso, preferiu fixar-se na leitura do discurso preparado pela sua assessoria, que defendia a criação de um projeto de desenvolvimento comum e a ousadia nas relações entre a Coréia e o Brasil.''O Brasil representa seguramente uma enorme oportunidade de investimento para os capitais coreanos'', afirmou, ao encerrar o seminário Brasil-Coréia: Oportunidades de Comércio e Investimento.
O presidente mencionou como prioridade nos negócios bilaterais as áreas espacial, biotecnologia, eletrônica e tecnologia limpa. Mais especificamente, lembrou o interesse brasileiro nos investimentos coreanos em mineração, na produção de etanol e em grandes obras dos setores de energia e de transportes, assim como os projetos de infra-estrutura que fazem parte do plano de integração física da América do Sul.
Sem respostas para os dilemas da guerra fiscal e da estabilidade jurídica, Lula acentuou a estabilidade macroeconômica no País e sua avaliação de que seu governo lançou as bases para ''um novo ciclo de investimentos'', apoiado nos indicadores mais favoráveis na última década e das reformas realizadas.
Entre os números, mencionou o objetivo de manter o ritmo de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) registrado em 2004, de 5,2%, o controle da dívida externa e a redução da dívida externa. Desde 2003, enfatizou, foram criados 2,7 milhões de postos de trabalho e o comércio exterior vem apresentando ''resultados animadores''.
O encerramento do seminário marcou o fato de o governo não ter conseguido convencer a siderúrgica coreana Posco a investir no Maranhão, conforme era previsto no início da semana. A empresa assinou com a Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) apenas uma ementa ao acordo anterior, que previa o investimento. Titubeando entre o Brasil e a Índia, a Posco decidiu apenas estudar a viabilidade de estabelecer uma joint-venture com a Vale no Maranhão para produzir até 7,5 milhões de toneladas de placas de aço ao ano.
Ambas as empresas também decidiram apenas avaliar a expansão da joint-venture Kobrasco, em Vitória (ES), para que aumente sua produção de 4,5 milhões de toneladas de pelotas de ferro para 6 milhões de toneladas. Nenhum martelo foi batido nessa área.


