France Presse‘‘Muito bom’’O vice Tariq Azis (e) e o argelino Lakhdar Brahimi, da ONUOs três enviados da ONU ao Iraque, encarregados de resolver a crise criada pela decisão do presidente Saddam Hussein de expulsar do país inspetores americanos da Comissão Especial da ONU encarregada de desmantelar o arsenal iraquiano, classificaram ontem de ‘‘muito bom’’ o primeiro contato mantido com as autoridades iraquianas.
‘‘Tivemos uma recepção cordial por parte do vice-primeiro-ministro Tariq Aziz’’, disse o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, chefe da missão da ONU.‘‘Entregamos a ele uma carta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao presidente Saddam Hussein’’, acrescentou Brahimi ao fim do encontro ocorrido pela manhã. ‘‘Uma segunda reunião ocorreu à tarde’’, informou a agência oficial iraquiana INA, sem acrescentar detalhes.
O argelino Brahimi - assessorado pelo argentino Emílio Cardenas e pelo sueco Jan Eliassin - não revelou o conteúdo da carta. Mas o embaixador dos EUA na ONU, Bill Richardson, deixou claro: ‘‘Eles (os enviados da ONU) não têm mandato para negociar... eles apenas leram para Saddam Hussein os termos do ato’’. Richardson referia-se à resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que ameaça o Iraque com sérias sanções caso insista em dificultar os trabalhos da comissão de desarmamento.
O Iraque voltou a impedir ontem o trabalho das três equipes da comissão - especializadas respectivamente em armas biológicas, bacteriológicas e nucleares - vetando o ingresso em seus arsenais de inspetores americanos, que acusam de ‘‘espiões e conspiradores’’. Mas, conforme havia anunciado no dia anterior, manteve a suspensão da ordem de expulsão dos inspetores americanos do país, atendendo a pedido do secretário-geral da ONU.
Num gesto de boa vontade - e contrariando os EUA - o chefe da Comissão Especial, Richard Butler, suspendeu temporariamente os vôos de reconhecimento sobre o território iraquiano, efetuados por aviões U-2. ‘‘Butler garantiu-nos que os vôos serão retomados logo’’, afirmou Richardson, representante dos EUA na ONU. ‘‘O Iraque não deve entender isso como um sinal de abrandamento de nossa posição.’’ O presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, por sua vez, pediu paciência a todos, preferindo aguardar os resultados da missão da ONU em Bagdá.
O Iraque ameaçou, no início da semana, derrubar os U2 - segundo especialistas militares, Bagdá dispõe de mísseis com autonomia suficiente para cumprir a ameaça. Segundo a secretária de Estado, Madeleine Albright, os vôos de reconhecimento serão reiniciados na próxima semana. ‘‘O fato de que uma delegação da ONU estar em Bagdá não significa um retrocesso da política internacional empenhada em fazer o Iraque cumprir as decisões da ONU no que se refere à inspeção e desmantelamento de seus arsenais.’’

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