Cordialidade ameniza crise no Iraque
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quinta-feira, 06 de novembro de 1997
AE-Reuters Bagdá 
France PresseMuito bomO vice Tariq Azis (e) e o argelino Lakhdar Brahimi, da ONUOs três enviados da ONU ao Iraque, encarregados de resolver a crise criada pela decisão do presidente Saddam Hussein de expulsar do país inspetores americanos da Comissão Especial da ONU encarregada de desmantelar o arsenal iraquiano, classificaram ontem de muito bom o primeiro contato mantido com as autoridades iraquianas.
Tivemos uma recepção cordial por parte do vice-primeiro-ministro Tariq Aziz, disse o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, chefe da missão da ONU.Entregamos a ele uma carta do secretário-geral da ONU, Kofi Annan, ao presidente Saddam Hussein, acrescentou Brahimi ao fim do encontro ocorrido pela manhã. Uma segunda reunião ocorreu à tarde, informou a agência oficial iraquiana INA, sem acrescentar detalhes.
O argelino Brahimi - assessorado pelo argentino Emílio Cardenas e pelo sueco Jan Eliassin - não revelou o conteúdo da carta. Mas o embaixador dos EUA na ONU, Bill Richardson, deixou claro: Eles (os enviados da ONU) não têm mandato para negociar... eles apenas leram para Saddam Hussein os termos do ato. Richardson referia-se à resolução aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU que ameaça o Iraque com sérias sanções caso insista em dificultar os trabalhos da comissão de desarmamento.
O Iraque voltou a impedir ontem o trabalho das três equipes da comissão - especializadas respectivamente em armas biológicas, bacteriológicas e nucleares - vetando o ingresso em seus arsenais de inspetores americanos, que acusam de espiões e conspiradores. Mas, conforme havia anunciado no dia anterior, manteve a suspensão da ordem de expulsão dos inspetores americanos do país, atendendo a pedido do secretário-geral da ONU.
Num gesto de boa vontade - e contrariando os EUA - o chefe da Comissão Especial, Richard Butler, suspendeu temporariamente os vôos de reconhecimento sobre o território iraquiano, efetuados por aviões U-2. Butler garantiu-nos que os vôos serão retomados logo, afirmou Richardson, representante dos EUA na ONU. O Iraque não deve entender isso como um sinal de abrandamento de nossa posição. O presidente Bill Clinton, dos Estados Unidos, por sua vez, pediu paciência a todos, preferindo aguardar os resultados da missão da ONU em Bagdá.
O Iraque ameaçou, no início da semana, derrubar os U2 - segundo especialistas militares, Bagdá dispõe de mísseis com autonomia suficiente para cumprir a ameaça. Segundo a secretária de Estado, Madeleine Albright, os vôos de reconhecimento serão reiniciados na próxima semana. O fato de que uma delegação da ONU estar em Bagdá não significa um retrocesso da política internacional empenhada em fazer o Iraque cumprir as decisões da ONU no que se refere à inspeção e desmantelamento de seus arsenais.


