São Paulo – O copiloto Andreas Lubitz, apontado como responsável pela colisão de um voo da Germanwings nos Alpes franceses há uma semana, recebeu tratamento psicoterápico contra tendências suicidas anos antes de se tornar piloto, disse ontem a Promotoria de Düsseldorf. Contudo, consultas mais recentes descartaram esse quadro, de acordo com o porta-voz Rald Herrenbrück. "Até pouco tempo atrás, consultas médicas não registraram tendências suicidas ou agressões contra outras pessoas", afirmou.
Esta é a primeira vez que as autoridades reconhecem que o alemão de 27 anos sofreu crises de depressão. A informação deve intensificar o debate sobre como as companhias aéreas examinam e monitoram seus pilotos. Com base em áudios extraídos de uma das caixas-pretas do avião, autoridades acreditam que Lubitz trancou seu capitão para fora da cabine e programou o Airbus A320 para cair em 24 de março. Todas as 150 pessoas a bordo morreram quando o avião, que voava de Barcelona (Espanha) a Düsseldorf, bateu na encosta de uma montanha perto da vila de Le Vernet.
Indagada se sabia do tratamento psicoterápico prévio de Lubitz, a Lufthansa, proprietária da Germanwings, apenas respondeu que toda a informação médica está submetida a regras de confidencialidade. Na semana passada, os promotores disseram que a polícia encontrou um atestado médico rasgado ao revistar a residência do piloto em Düsseldorf. O atestado permitiria a Lubitz não ter ido trabalhar no dia da queda.
Autoridades de aviação alemãs disseram que a ficha de Lubitz no Escritório Federal de Aviação continha uma anotação indicando que ele precisava de "exame médico regular e específico", mas sem informar para qual condição física ou mental.
Na semana passada, Carsten Spohr, o CEO da Lufthansa, havia afirmado que houve um intervalo de "vários meses" no treinamento de Lubitz em 2009, mas não deu detalhes. Depois desse intervalo, contou, Lubitz "não apenas passou em todos os testes médicos, como também em todos os testes de voo".

GRAVIDEZ

A namorada de Andreas Lubitz estava grávida e o casal aparentemente planejava se casar, de acordo com o tabloide "Bild" e a revista "Der Spiegel", da Alemanha. Lubitz, 27, vivia em seu apartamento de Düsseldorf, no Estado da Renânia do Norte-Vestfália, com uma professora de matemática e inglês de 26 anos identificada pelo pseudônimo de Sanine L. De acordo com "Bild", a mulher contou a seus alunos que estava grávida.
Lubitz treinou para ser piloto tanto na Alemanha quanto na sede de treinamento da Lufthansa em Phoenix, Arizona (EUA). Com base em dados extraídos de uma das caixas-pretas do avião, autoridades acreditam que Lubitz trancou seu capitão para fora da cabine de comando e ignorou seus apelos para que abrisse a porta. Todas as 150 pessoas a bordo foram mortas quando o Airbus A320, que voava de Barcelona (Espanha) a Düsseldorf, colidiu com os Alpes franceses perto da vila de Le Vernet. Questionada sobre se sabia do tratamento psicoterápico prévio de Lubitz, a Lufthansa apenas respondeu que toda a informação médica está submetida a regras de confidencialidade. Os promotores afirmaram que, até agora, não encontraram na família do copiloto, em suas relações pessoais ou em seu ambiente de trabalho quaisquer indicações de possíveis motivações para seus atos. Eles não encontraram nenhum sinal de doença física e não têm evidências de que ele tenha contado para ninguém o que ia fazer.

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