A sindical Central Operária Boliviana (COB) suspendeu o diálogo com o governo de Hugo Banzer e convocou uma greve nacional por tempo indeterminado a partir de segunda-feira, informou ontem seu principal dirigente, Alberto Camacho. A medida, declarada em um momento social especialmente delicado, com camponeses e ‘‘cocaleros’’ mobilizados e um Executivo resistente ao diálogo, tenta exercer pressão para o atendimento imediato de uma exigência de 15 pontos.
‘‘Até o momento, não houve indícios de solução para os problemas, simplesmente tem sido uma negociação dilatória com as propostas que o governo nos faz, insistindo ter razão na política neoliberal, por exemplo, de privatizar as empresas ainda sob administração estatal’’, explicou Camacho.
A decisão de convocar uma greve nacional foi tomada ontem de madrugada porque o governo de Banzer ‘‘diz que não tem condições de aumentar os salários dos trabalhadores’’, acrescentou.
BloqueiosOs plantadores de coca – ou ‘‘cocaleros’’ – radicalizaram ontem o bloqueio de estradas iniciado há dois para pedir a renúncia do presidente Hugo Banzer, apesar da advertência do governo de que o protesto agravará a crise econômica.
Nesse clima, a polícia investiu contra uma manifestação pacífica convocada pela Assembléia Permanente de Direitos Humanos, trabalhadores da imprensa e comunidades de bairro que, com um ‘‘plantão’’ de 10 minutos diante do Palácio do Governo, exigia o fim da repressão oficial, a ‘‘pacificação’’ do país e o início do diálogo entre o governo e os setores em conflito.
O dirigente dos trabalhadores da imprensa de La Paz, Miguel Pinto, disse que a ‘‘repressão foi selvagem’’, e que para isto os policiais usaram gás lacrimogêneo.
Banzer esteve ontem no local onde se realiza a Conferência dos Bispos da Igreja Católica boliviana, iniciada na quinta-feira em Cochabamba, para pedir a ajuda dos prelados diante da escalada de protestos e os pedidos de demissão que está enfrentando. Os bispos adiantaram que divulgarão um apelo de reflexão ao país, para evitar que os protestos culminem com o derramamento de mais sangue.

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