Depois de dois dias de negociações em Pequim, China e Estados Unidos não conseguiram aproximar suas posições sobre o caso do avião espião norte-americano, concordando somente em voltar a reunir-se em data e local indeterminados, informaram as duas delegações, ontem.
Ao longo das reuniões, as duas partes expuseram suas respectivas exigências, que parecem pouco reconciliáveis: a China exige o fim dos vôos de reconhecimento norte-americanos em suas costas – o que os Estados Unids se recusam de forma oficial –, enquanto Washington reclama a restituição do avião norte-americano de vigilância eletrônica EP-3, que se chocou no dia 1º de abril com um caça chinês no mar da China meridional.
A China se nega a discutir esta e outras questões ‘‘enquanto não forem esclarecidas as circunstâncias do choque’’.
O porta-voz do Ministério chinês de Assuntos Exteriores, Zhang Qiyue, explicou numa entrevista à imprensa que ‘‘as negociações foram muito francas’’, adiantando que espera que ‘‘tenham ajudado a que as duas partes entendam melhor a posição contrária’’.
‘‘Desejamos que este caso não prejudique as relações bilaterais, buscamos uma solução apropriada, mas a bola está no campo norte-americano’’, declarou.
Zhan Qiyue precisou que a China mostrou aos oito negociadores norte-americanos ‘‘provas sólidas’’ de que o choque aéreo ‘‘foi provocado por uma brusca guinada feita pelo aparelho norte-americano’’, versão que Washington contesta.
Pelo lado norte-americano, o chefe da delegação, Peter Verga, subsecretário adjunto de Defesa, qualificou as negociações desta quinta-feira com a delegação chinesa de ‘‘muito produtivas’’, embora Washington tivesse ameaçado suspender as conversações por falta de resultados.
Consultado sobre a devolução do avião EP-3 aos Estados Unidos, Zhan Qiyue respondeu que ‘‘será difícil discutir outros temas enquanto as circunstâncias da colisão não tenham sido esclarecidas’’.

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