Nova York - Cerca de 250 mil americanos devem desembarcar em Nova York nesta semana para protestar contra a convenção do Partido Republicano que vai homologar a candidatura à reeleição do presidente George W. Bush. A convenção começa no dia 30 e Bush fará o discurso no dia 2 de setembro.
  São esperados para a cobertura do evento republicano 16 mil jornalistas de 60 países e dos 50 estados americanos. Uma média de três jornalistas para cada um dos 5 mil delegados com direito a voto na convenção. Trinta e seis mil policiais farão a segurança do evento, que será no Madison Square Garden.
  A escolha de Nova York foi estratégica, numa tentativa de frear o avanço do candidato do Partido Democrata, senador John Kerry, que aparece empatado com Bush, mas em curva ascendente de acordo com as principais pesquisas de opinião. Apesar de a cidade ser majoritariamente democrata – 95% dos cerca de 8 milhões de habitantes –, os republicanos querem reforçar o discurso de combate ao terrorismo, a principal arma de Bush nesta campanha.
  Mais que convencer os novaiorquinos – muitos deles vão deixar a cidade no período de convenção – o evento republicano será cercado de simbolismo. É que em setembro de 2001, a cidade acompanhou de perto o horror do terrorismo com o ataque ao World Trade Center. As torres gêmeas desabaram devido ao choque com dois aviões. Milhares de pessoas que estavam nas torres morreram. Alguns republicanos cogitaram fazer a convenção no dia 11 de setembro, dia do atentado, acompanhada de um ato solene no que ficou conhecido na cidade como ‘‘Marco Zero’’, local onde ficavam as duas torres. A idéia, entretanto, não foi levada adiante. Dean Armandroff, chefe nacional de gabinete do Partido Republicano, nega oportunismo. ‘‘A escolha do local não tem nada a ver com o 11 de setembro. Estamos entrando num campo inimigo (o dos democratas). Essa é a idéia.’’
  Armandroff, assim como a maioria dos republicanos, está apostando na convenção como forma de melhorar o desempenho de Bush nas pesquisas. As sondagens apontavam empate técnico entre os dois, de 45%. Mas houve, nos últimos dias, ligeira alteração a favor de Bush (veja infográfico nesta página).Dez por cento dos cerca de 100 milhões de eleitores que devem comparecer as urnas no dia 2 de novembro próximo (50% do total) ainda não decidiram em quem vão votar.
O jornalista viajou a convite do Departamento de Estado do Governo dos EUA.

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