France Presse
Tokaimura, Japão
As autoridades japonesas pediram ontem aos moradores da cidade de Tokaimura que voltem à normalidade, depois de assegurar que o mais grave acidente nuclear do país está sob controle. A reação nuclear durou quase trinta horas antes que as autoridades pudessem declará-la terminada, ontem pela manhã.
O acidente crítico, termo utilizado para definir uma reação nuclear sem controle – se desencadeou quinta-feira, às 10h35 locais, em uma fábrica experimental de produção de combustível nuclear de Tokaimura. O acidente começou quando vários trabalhadores derramaram 16 kg de urânio em um tanque que apenas podia conter 2,3 kg, indicaram fontes industriais. Isto provocou uma reação nuclear sem controle, com emissão intensa de raios gama e nêutrons.
Três operários que trabalhavam no laboratório da fábrica foram expostos a radiações de nível elevado. Dois deles se encontravam na madrugada de ontem em estado muito crítico e o terceiro em estado grave, indicou o médico que os atendeu. Outros onze operários, que receberam radiação em menor grau, foram evacuados por razões de segurança, explicou a direção da fábrica. Também sofreram radiações, mesmo que sem gravidade, três enfermeiros que evacuaram os operários e outros sete funcionários da fábrica.
O escapamento causou um aumento brutal do índice de radiação, que num determinado momento superou em 4.000 vezes as normas aceitas, segundo fontes governamentais. Quarenta e nove pessoas foram expostas às radiações, segundo o último balanço divulgado.
O acidente foi classificado de nível 4 sobre 7 pela agência japonesa, mais grave do que os terríveis acidentes ocorridos em 1995 e 1997 no arquipélago.
O governo japonês reconheceu que os poderes públicos atuaram com pouca rapidez depois da tragédia.
O governo suspendeu a medida de confinamento aplicada sexta-feira a mais de 300.000 pessoas, num raio de 10 km em torno da fábrica, 29 horas depois do acidente.
Apenas os habitantes a menos de 350 metros do lugar não puderam voltar para suas casas, das quais foram evacuados na véspera. As proximidades da fábrica permanecerão isoladas até que se assegure que não há mais perigo, precisou Nakata. Durante um dia e meio, Tokaimura foi uma cidade morta, com estradas desertas, transportes parados e lojas e escolas fechadas.
O grupo Sumitomo Metal Mining, proprietário do complexo, apresentou suas desculpas e indicou que o acidente foi ocasionado por um erro humano..

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