Contrastes marcam o cinquentenário
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sábado, 09 de agosto de 1997
Pascal Taillandier Nova Delhi 
France PresseContrasteO palácio, no cartão-postal, mostra uma imagem de beleza e pujança. Mas a realidade indiana não é apenas esta. Milhões sobrevivem na misériaA Índia, que gosta de ser chamada de a maior democracia do mundo, celebrará no dia 15 o cinquentenário de sua independência com uma imensa força econômica potencial marcada pela miséria, a superpopulação, a corrupção e o fanatismo extremista.
Às doze batidas da meia-noite, quando o mundo dorme, a Índia despertará para a vida e a liberdade: com essas palavras, na noite de 14 para 15 de agosto de 1947, Nehru anunciava a independência da Índia e seu encontro com o destino.
A Unión Jack (a bandeira do Reino Unido) foi arriada, e Lord Mountbatten, vice-rei das Índias, abandonou o país, jóia da Coroa britânica, após dois séculos de dominação.
As cerimônias começaram ontem em Bombaim, com dois minutos de silêncio em memória dos que participaram no combate pela independência.
É um momento de alegria, mas também de introspecção, disse R.L. Sudhir, encarregado do comitê de organização. Temos tido êxitos, mas em certos aspectos, nossos progressos não estiveram à altura de nossas esperanças.
Na realidade, já é um sucesso o próprio fato de que a Índia, um país com 3,3 milhões de km2, 960 milhões de habitantes, 1.000 línguas e dialetos e 18 religiões, ainda existir apesar das inúmeras forças centrífugas.
Existe uma indianidade, apesar das imensas distâncias e diferenças culturais entre um corretor da bolsa de Bombaim e um aborígine da selva de Nagaland, ou entre um multimilionário do Pendjab e um agricultor da casta dos intocáveis que vive com 3 dólares ao mês.
Também pode ser considerado um êxito o fato de que apesar da explosão demográfica (um bilhão de habitantes no ano 2000), a Índia já pode alimentar toda sua população, depois do triunfo de sua revolução verde.
Depois de 40 anos de socialismo protecionista, a economia do país se abriu ao mundo, e seu enorme mercado interno é interessante para muitos investidores. Dispõe de tecnologia nuclear e envia satélites ao espaço.


