France PresseContrasteO palácio, no cartão-postal, mostra uma imagem de beleza e pujança. Mas a realidade indiana não é apenas esta. Milhões sobrevivem na misériaA Índia, que gosta de ser chamada de ‘‘a maior democracia do mundo’’, celebrará no dia 15 o cinquentenário de sua independência com uma imensa força econômica potencial marcada pela miséria, a superpopulação, a corrupção e o fanatismo extremista.
‘‘Às doze batidas da meia-noite, quando o mundo dorme, a Índia despertará para a vida e a liberdade’’: com essas palavras, na noite de 14 para 15 de agosto de 1947, Nehru anunciava a independência da Índia e seu ‘‘encontro com o destino’’.
A Unión Jack (a bandeira do Reino Unido) foi arriada, e Lord Mountbatten, vice-rei das Índias, abandonou o país, ‘‘jóia da Coroa’’ britânica, após dois séculos de dominação.
As cerimônias começaram ontem em Bombaim, com dois minutos de silêncio em memória dos que participaram no combate pela independência.
‘‘É um momento de alegria, mas também de introspecção’’, disse R.L. Sudhir, encarregado do comitê de organização. ‘‘Temos tido êxitos, mas em certos aspectos, nossos progressos não estiveram à altura de nossas esperanças’’.
Na realidade, já é um sucesso o próprio fato de que a Índia, um país com 3,3 milhões de km2, 960 milhões de habitantes, 1.000 línguas e dialetos e 18 religiões, ainda existir apesar das inúmeras forças centrífugas.
Existe uma ‘‘indianidade’’, apesar das imensas distâncias e diferenças culturais entre um corretor da bolsa de Bombaim e um aborígine da selva de Nagaland, ou entre um multimilionário do Pendjab e um agricultor da casta dos ‘‘intocáveis’’ que vive com 3 dólares ao mês.
Também pode ser considerado um êxito o fato de que apesar da explosão demográfica (um bilhão de habitantes no ano 2000), a Índia já pode alimentar toda sua população, depois do triunfo de sua ‘‘revolução verde’’.
Depois de 40 anos de socialismo protecionista, a economia do país se abriu ao mundo, e seu enorme mercado interno é interessante para muitos investidores. Dispõe de tecnologia nuclear e envia satélites ao espaço.

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