Contrabando pode ter gerado crise
O desmantelamento de uma rede de contrabando de armas para guerrilheiros colombianos, em julho, no qual estavam envolvidos alguns suboficiais do Exército peruano, pode ter sido a origem da atual crise política no Peru, segundo relatou à Agência Estado uma fonte ligada ao círculo do poder no país. As armas vinham da Jordânia, passavam sem fiscalização pelo aeroporto de Lima, atravessavam a fronteira e eram entregues às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O principal desses poderosos seria Vladimiro Montesinos. Desafetos do ex-chefe do Serviço de Inteligência Nacional (SIN), entre os quais se destaca o também assessor presidencial Absalón Vásquez, teriam descoberto a rede e preparavam-se para denunciá-la.
O SIN anunciou, em 21 de julho, ter desmantelado o esquema, apresentando o caso como mais um grande êxito do serviço de inteligência que se gaba de ter vencido o terrorismo e o narcotráfico do país.
A operação de acobertamento exigia prisões e o técnico pára-quedista do Exército Luis Alberto Meza Rodrígues, integrante de comandos táticos especiais das Forças Armadas, foi um dos detidos. Em depoimentos que chegaram a vazar para a imprensa, ele declarou que pessoas muito importantes estavam envolvidas.
O episódio dividiu as Forças Armadas entre os oficiais que queriam investigar o escândalo a fundo e os que pretendiam manter Montesinos em suas funções para que ele continuasse a controlar o rumo das apurações. Foi nesse ponto que o mar de lama começou a respingar na Casa de Pizzarro.
Surgiram versões de que a filha do presidente, Keiko Sofía, mantinha grande participação acionária em hotéis de Luxo em Cusco, no sul do país, e tinha-se tornado sócia de empresas mineradoras. Montesinos estaria por trás dos boatos.
A divulgação da fita de vídeo na qual Montesinos aparece subornando o deputado oposicionista Alberto Kouri para que ele engrossasse a maioria do governo no Congresso, entretanto, foi a gota dágua.
De acordo com uma versão difundida na segunda-feira, Fujimori foi informado no sábado que Montesinos tramava um golpe de Estado para evitar que fosse destituído. O presidente convocou uma reunião de emergência com a cúpula militar, o vice-presidente Francisco Tudela, Vásquez e três parlamentares da base fujimorista. Os militares queriam que Montesinos fosse mantido em suas funções, mas Fujimori prosseguiu firme em sua posição de destituí-lo. Em certo momento da reunião, aos prantos, Keiko pediu ao pai que tomasse a decisão mais correta para evitar que o desfecho da crise fosse o exílio da família ou danos para a integridade de Fujimori. (R.L.)





