Lima - Indígenas aymaras estão se reagrupando em Ilave e a situação atualmente está fora de controle nessa pequena cidade do sudeste do Peru, onde na noite de segunda-feira uma multidão linchou e matou seu prefeito e atacou a delegacia local, informou ontem o ministro do Interior, Fernando Rospigliosi.
''Não há como controlar uma multidão furiosa, a comissão que está no local vai tentar reunir-se com os dirigentes'', disse o ministro do Interior, ao precisar que a polícia teve que se retirar de Ilave para evitar confrontos.
''Manter o controle implicaria o uso de muita violência'', assinalou. Durante a manhã, os camponeses começarem a deixar suas comunidades para concentrar-se na praça principal da cidade em atitude de protesto, adiantou o ministro, precisando que uns dois mil indígenas se mantiveram em torno do posto policial.
Adiantou que o Governo não descarta a adoção de qualquer opção como a declaração de emergência, com o fim de evitar mais violência. O ministro disse que se desconhece o paradeiro de três funcionários municipais, que foram capturados como reféns. Entretanto, outras fontes assinalam que um dos funcionários também teria sido morto pela multidão, enquanto os outros dois teriam sido gravemente feridos.
Centenas de moradores da cidade de Ilave, no sudeste do Peru, atacaram a delegacia local na noite de segunda e os policiais foram obrigados a atirar para se defender.
O ataque ocorreu após o linchamento do prefeito de Ilave, na província de Collao, que foi arrastado pelas ruas da cidade e executado pela multidão, que o acusava de ser corrupto.
O prefeito Cirilo Fernando Robles Cayomamani foi tirado à força do gabinete, junto com três vereadores, por mais de 15 mil pessoas, e levado pelas ruas da cidade até ser amarrado em um poste. Depois, foi encontrado morto debaixo de uma ponte.
Desde 2 de abril passado, a comunidade indígena aymara realizava uma greve em Ilave (cidade próxima ao Lago Titicaca) para exigir a renúncia do prefeito. Na sexta-feira, a situação se acalmou com a viagem do prefeito à capital regional de Puno, mas Robles Cayomamani voltou a Ilave e convocou uma sessão da Câmara, o que exaltou a população.
O prefeito era acusado de desviar verbas, adulterar notas fiscais e de receber um salário de mais de 3 mil soles (820 dólares), quando em Ilave existe muita miséria.

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