Pelo menos 500 imigrantes sem documentos, exibindo cartazes com frases do tipo ‘‘Regularização ou morte’’, prosseguiram ontem uma greve de fome na Igreja Santa María del Pi, em Barcelona, devido à entrada em vigor da nova lei de estrangeiros que ameaça expulsá-los do país.
A legislação representa um risco quase imediato de expulsão para cerca de 30.000 imigrantes cujas solicitações para conseguir um visto de residência ou de trabalho foram rejeitadas durante o processo extraordinário de regularização aberto pelo governo entre 21 de março e 31 de julho de 2000.
A nova lei tem como objetivo, segundo o governo, adequar as normas espanholas às européias no âmbito dos direitos dos estrangeiros e da imigração.
Entretanto, para as associações de imigrantes, a única coisa que se faz é acabar com uma lei mais generosa e progressista, aprovada há um ano.
Esta ameaça provocou uma mobilização dos imigrantes sem papéis, que há vários dias realizam manifestações para pedir sua legalização.
A manifestação acontece em uma igreja localizada próximo à catedral de Barcelona. ‘‘Quando começamos, no sábado passado, éramos 265. Chegaram mais uns cem no domingo e outros cem ontem. Não podemos acolher mais pessoas’’, explicou à AFP uma responsável pela coordenação desse movimento de protesto.
Na igreja encontram-se estrangeiros de todas nacionalidades, de marroquinos e paquistaneses a equatorianos e colombianos. A maioria dos clandestinos não acredita no discurso do governo do Partido Popular (PP, de direita), que aconselha aos imigrantes irem embora para depois voltarem legalmente para o país.
O ministro do Interior, Jaime Mayor Oreja, afirmou ontem que não ordenará ‘‘a caça e captura dos imigrantes’’, enfatizando que as forças de segurança não receberam instruções específicas sobre a vigência do novo texto. Mayor Oreja também descartou a possibilidade de se abrir um novo processo extraordinário de regularização. Em compensação, assinalou que seu ministério negociará acordos bilaterais com os principais países envolvidos – Marrocos, Equador e Polônia – para estabelecer cotas de imigração legais em função das necessidades do mercado de trabalho espanhol.

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