Cerca de 50 estudantes católicas entre 4 e 11 anos começaram ontem seu segundo dia na escola protegidas pela tropa de choque da polícia, que mais uma vez enfrentou protestantes que se manifestavam contra a presença das meninas na Holy Cross Primary School, em Belfast, capital da Irlanda do Norte.
O incidente ocorreu apesar de apelos de ambas as partes por um fim do confronto. ''A situação é apavorante. Há um grande perigo de que o problema se espalhe para outras escolas da área'', alertou David Trimble, líder do maior partido protestante da Irlanda do Norte, os Unionistas do Ulster.
A polícia afastou à força cerca de 200 militantes da porta da escola para que as meninas pudessem entrar. Devido às manifestações violentas de segunda-feira, que deixaram uma mãe ferida, aproximadamente um terço das alunas permaneceu em casa ontem.
Segundo a polícia, 21 policiais ficaram feridos nos confrontos com os militantes protestantes na virada da noite. Pela manhã, durante a entrada das meninas na escola, um agente foi ferido por uma granada caseira.
A escola está localizada no norte de Belfast, a zona mais dividida da capital. Os protestantes afirmam que manterão a manifestação até que os católicos parem de atacar suas casas, que ficam ao lado da escola em um bairro predominantemente católico conhecido como Ardoyne.
De acordo com autoridades, o trabalho da polícia foi melhor realizado ontem, já que os manifestantes permaneceram mais longe das crianças.
Também ontem, vários protestantes cometeram atos violentos em um distrito vizinho de Ardoyne depois que a polícia confirmou ter detido quatro católicos suspeitos pelo assassinato de um garoto protestante de 16 anos.
A vítima, Thomas McDonald, foi fatalmente atingida segunda-feira quando um carro que a seguia em sua bicicleta bateu em sua traseira no bairro protestante de White City.

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