Em entrevista à Folha, o Cônsul Geral de Israel no Brasil, Medad Medina, e o sheik da comunidade árabe de Foz do Iguaçu, Taleb Jomaa, destacaram a necessidade de paz entre árabes e judeus
O Cônsul Geral de Israel no Brasil, Medad Medina, disse ontem em Curitiba que as negociações de paz entre árabes e judeus não podem ser encerradas por causa dos conflitos registrados há duas semanas no Oriente Médio. Os confrontos entre soldados israelenses e civis palestinos já causaram mais de 100 mortes e cerca de 2 mil feridos (a maioria palestinos). Medina iniciou esta semana um giro por jornais da capital para falar sobre a crise, ocasião em que concedeu esta entrevista à Folha de Londrina.
Folha – Há esperança de paz no Oriente Médio?
Medina – Esperamos que os palestinos voltem à tranquilidade e parem com a violência. Já são sete anos de diálogo, sete anos de história, que não podem ser perdidos. Israel está fazendo um esforço muito grande para cessar a violência, mas falta a mobilização dos palestinos. Arafat (Yasser Arafat, presidente de Autoridade Nacional Plaestina) começou esta violência e quer levar todo Oriente Médio à guerra.
Folha – Segundo o noticiário internacional, os conflitos começaram quando Ariel Sharon (presidente do Likud, partido da direita israelense), visitou a Esplanada das Mesquitas com mil soldados, um lugar sagrado para os muçulmanos.
Medina – Não temos tantos soldados para acompanhar um político. Ariel Sharon já fez muitas visitas. E esta última foi coordenada com a chefia de segurança da Autoridade Nacional Palestina. O acordo feito era de que ele não entraria nas mesquistas e não entrou. Não dá para entender porque houve tanta violência. Não sabíamos que existia todo esse ódio. Fomos surpreendidos.
Folha – O nome de Ariel Sharon é sempre lembrado por massacres de cerca de 2 mil libaneses em 1982. Essa lembrança não pode ter causado toda a revolta no povo palestino?
Medina – Ariel Sharon era Ministro da Defesa de Israel e não mandou atacar ninguém. Os massacres foram cometidos por cristãos libaneses.
Folha – Como o senhor analisa as negociações de Sharm El-Sheik, no Egito, para decretar um cessar-fogo? O senhor acredita que os Estados Unidos, como parceiros estratégicos de Israel, podem conduzir uma boa investigação sobre a violência? A participação de países da União Européia não poderia trazer mais neutralidade ao trabalho?
Medina – Não acredito muito nas comissões dessa organização. Elas são formadas por muitos países que não apóiam Israel e estão prontos para apenas criticar o nosso país. A União Européia não é tão objetiva. Estados Unidos é uma superpotência que tem uma força para buscar um acordo entre nós e os árabes. Ninguém fez algo bom ou melhor para os árabes do que os Estados Unidos. Os palestinos não podem reclamar. Não importa quem é o culpado porque não vai resolver o problema dos mortos. Temos que restaurar o processo de paz, sem ficar olhando para o passado.