Cônsul Medad Medina quer o fim da violência
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sábado, 21 de outubro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Em entrevista à Folha, o Cônsul Geral de Israel no Brasil, Medad Medina, e o sheik da comunidade árabe de Foz do Iguaçu, Taleb Jomaa, destacaram a necessidade de paz entre árabes e judeus
O Cônsul Geral de Israel no Brasil, Medad Medina, disse ontem em Curitiba que as negociações de paz entre árabes e judeus não podem ser encerradas por causa dos conflitos registrados há duas semanas no Oriente Médio. Os confrontos entre soldados israelenses e civis palestinos já causaram mais de 100 mortes e cerca de 2 mil feridos (a maioria palestinos). Medina iniciou esta semana um giro por jornais da capital para falar sobre a crise, ocasião em que concedeu esta entrevista à Folha de Londrina.
Folha Há esperança de paz no Oriente Médio?
Medina Esperamos que os palestinos voltem à tranquilidade e parem com a violência. Já são sete anos de diálogo, sete anos de história, que não podem ser perdidos. Israel está fazendo um esforço muito grande para cessar a violência, mas falta a mobilização dos palestinos. Arafat (Yasser Arafat, presidente de Autoridade Nacional Plaestina) começou esta violência e quer levar todo Oriente Médio à guerra.
Folha Segundo o noticiário internacional, os conflitos começaram quando Ariel Sharon (presidente do Likud, partido da direita israelense), visitou a Esplanada das Mesquitas com mil soldados, um lugar sagrado para os muçulmanos.
Medina Não temos tantos soldados para acompanhar um político. Ariel Sharon já fez muitas visitas. E esta última foi coordenada com a chefia de segurança da Autoridade Nacional Palestina. O acordo feito era de que ele não entraria nas mesquistas e não entrou. Não dá para entender porque houve tanta violência. Não sabíamos que existia todo esse ódio. Fomos surpreendidos.
Folha O nome de Ariel Sharon é sempre lembrado por massacres de cerca de 2 mil libaneses em 1982. Essa lembrança não pode ter causado toda a revolta no povo palestino?
Medina Ariel Sharon era Ministro da Defesa de Israel e não mandou atacar ninguém. Os massacres foram cometidos por cristãos libaneses.
Folha Como o senhor analisa as negociações de Sharm El-Sheik, no Egito, para decretar um cessar-fogo? O senhor acredita que os Estados Unidos, como parceiros estratégicos de Israel, podem conduzir uma boa investigação sobre a violência? A participação de países da União Européia não poderia trazer mais neutralidade ao trabalho?
Medina Não acredito muito nas comissões dessa organização. Elas são formadas por muitos países que não apóiam Israel e estão prontos para apenas criticar o nosso país. A União Européia não é tão objetiva. Estados Unidos é uma superpotência que tem uma força para buscar um acordo entre nós e os árabes. Ninguém fez algo bom ou melhor para os árabes do que os Estados Unidos. Os palestinos não podem reclamar. Não importa quem é o culpado porque não vai resolver o problema dos mortos. Temos que restaurar o processo de paz, sem ficar olhando para o passado.


