Ansa
De Caracas
A Assembléia Constituinte e o Congresso da Venezuela admitiram nesta quarta-feira em Caracas ter chegado a um acordo que reduzem as tensões e buscam superar o confronto entre os poderes. Os diálogos serão mediados pela Igreja Católica.
Após duas reuniões no Episcopado venezuelano, representantes do Congresso e da Assembléia concordaram em iniciar ontem uma ‘‘etapa de negociações’’ que representam um ‘‘avanço’’ na busca do restabelecimento da harmonia entre os poderes na Venezuela.
‘‘Estou otimista com o resultado das reuniões no Episcopado. Cruzamos idéias e podemos dizer que hoje entramos em uma etapa de negociações para chegar a acordos’’, disse à ANSA Timoteo Zambrano, do partido opositor Ação Democrática.
O dirigente informou que para a noite de ontem estava prevista outra reunião entre parlamentares opositores ao presidente Hugo Chávez, dirigentes da Constituinte (dominada por governistas) e representantes da Igreja e do governo.
O primeiro vice-presidente da Constituinte, o governista Isaías Rodríguez, disse a uma rádio local que existe uma ‘‘sincera’’ disposição para aliviar as tensões entre Congresso e Assembléia. Ele reconheceu que a primeira reunião no Episcopado, sexta-feira, quando houve confrontos em frente ao Congresso resultando em 35 feridos, parecia ter gerado resultados ‘‘frustrados’’ e que o diálogo estava ‘‘totalmente esfarrapado’’. Mas à noite ‘‘se restabeleceram as relações no melhor ânimo’’ entre Congresso e Assembléia’’.
No entando, ele absteve-se de revelar os termos dos acordos que poriam fim aos radicais conflitos de poder na Venezuela, após a Constituinte limitar as funções do Congresso aos âmbitos de controle e administrativo.
Rodríguez disse que as partes em conflito concordaram em autorizar apenas declarações dos porta-vozes da Igreja para impedir alterações do diálogo através de manchetes da imprensa.
Versões jornalísticas indicavam que a Constituinte não assumiria funções legislativas do Congresso e que este suspenderia sua intenção de se reunir, apesar da proibição imposta pela Assembléia, durante os diálogos com a Igreja.
‘‘Não ficou claro nenhum compromisso expressado nesse sentido. O que ficou claro é que faremos qualquer esforço porque a distensão se mantém e precisamos retomar a confiança entre nós’’, garantiu Rodríguez.
A Constituinte, que deverá redigir uma nova carta magna entre três e seis meses após sua instalação, em 3 de agosto, decretou uma reorganização dos questionados poderes públicos na Venezuela. O decreto implicou na limitação de funções do Congresso, o que provocou a ira dos parlamentares de oposição, enquanto o vice-presidente do parlamento, Henrique Capriles, pedia à Suprema Corte de Justiça a anulação da decisão que diminui o Congresso.
Capriles denunciou ontem que a Corte estaria analisando pôr ‘‘no congelador’’ o recurso de nulidade, o que demonstraria a submissão do máximo tribunal do país a Chávez.
O presidente da Corte, Iván Rincón, disse momentos antes desta declaração que o tribunal designaria ontem mesmo o magistrado que se encarregará do caso e que os recursos de nulidade têm caráter de ‘‘emergência’’.

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