Associated Press
De Manila
Liderados pela ex-presidente Corazón Aquino e pelo cardeal católico Jaime Sin, mais de 150 mil filipinos foram às ruas ontem de várias cidades do país para rechaçar a política de reforma constitucional do presidente José Estrada.
Estrada – que tem o apoio dos defensores da abertura econômica –, propõe modificar a constituição de 1987 para liberalizar os investimentos e permitir o acesso dos estrangeiros à propriedade.
Os protestos de ontem, de certa forma, lembraram a revolta de 1986, chamada de ‘‘Força do Povo’’, que derrubou o ditador filipino Ferdinand Marcos. Hoje, como naquela época, os manifestantes clamaram por democracia, vestidos com roupas amarelas.
Entretanto, os próprios manifestantes reconhecem que o assunto atual polarizou o país. O presidente Joseph Estrada, que venceu as eleições por grande maioria há 15 meses, permanece altamente popular e prometeu revisar a constituição apenas para atrair mais investimentos externos.
‘‘Não estamos afirmando que essa administração é parecida com o regime de Marcos – mas temos motivos para nos preocuparmos’’, disse Aquino, cujo governo confeccionou uma nova constituição depois da queda de Marcos, válida até hoje.
O movimento contrário à revisão constitucional alega que, uma vez aberta, a Constituição poderá abrir precedentes para o surgimento de um novo ditador.
‘‘Não temos que esperar até que um tirano cresça no palácio presidencial’’, escreveu Nelson Navarro, colunista do jornal ‘‘Manila Standard’’.
Estrada, por sua vez, insiste que a constituição é protecionista e deve ser revisada para atrair novos investidores.
‘‘Quem controlará a mudança?’’, perguntou Aquino a cerca de 75 mil pessoas que marchavam no distrito financeiro de Manila. ‘‘Não há nenhuma razão para se revisar a Constituição’’.
As mudanças propostas geralmente são apoiadas por grandes empresários, mas algumas companhias menores temem que elas possam ser prejudicadas pela competição estrangeira.

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