A reunião com o maior número de cardeais da história da Igreja acabou ontem no Vaticano com o encerramento do sexto Consistório Extraordinário do Pontificado, que serviu para reforçar o primado do papa, o que foi contestado pelo cardeal brasileiro Aloísio Lorscheider antes do encontro. Os mais de 150 cardeais encerraram três dias de trabalho com João Paulo II, a quem entregaram uma série de propostas em forma de síntese, elaborada pelo alto prelado mexicano Juan Sandoval Iñiguez.
Um dia antes da abertura do Consistório, o cardeal brasileiro Lorscheider, que esteve presente no Vaticano, questionou a independência de João Paulo II e sua aproximação das bases, afirmando que o papa é ‘‘prisioneiro da cúria romana’’.
O tema da primazia do papa sobre tudo e da colegialidade, e o debate sobre as atribuições dos bispos e as do papa, prevaleceu nos discursos. A maior parte dos que responderam direta ou indiretamente a Lorscheider concordaram com suas palavras e o tema apareceu na declaração final dos cardeais, em forma de pedido à unidade: ‘‘em uma Igreja que leva a ferida da divisão, sentimos com força o dever de cultivar o espírito da comunhão’’.
Segundo declarou à AFP Sandoval, relator do encontro, o tema apareceu com vontade de integração: os cardeais ‘‘não colocaram em contradição o primado e a colegialidade, pelo contrário, os integraram. O papa serve à unidade como representante de Cristo na Igreja e ajuda os bispos para que eles também intervenham na Igreja universal’’.
Para Sandoval, ‘‘o primado é o serviço à unidade. Se não existir uma liderança, se não existir um dentre nós que tenha a autoridade, acontece como nas outras confissões cristãs, quando surgem as divisões’’, considerou Sandoval.
Por outro lado, o cardeal belga Godfried Daneels declarou que deve se ‘‘promover a cultura do debate na Igreja, sem que isso afete o primado do papa’’.

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