Os 24 dirigentes zapatistas que há um mês iniciaram um marcha de 3.000 km do Estado meridional de Chiapas em direção à capital concluíram com êxito sua missão ao conseguirem lançar sua mensagem em defesa dos direitos indígenas da tribuna do Congresso.
Sem disparar um só tiro, os zapatistas conseguiram a retirada do Exército de sete posições estratégicas, a libertação da maioria dos rebeldes presos e, sobretudo, assentar as bases para a aprovação de uma lei que reconhece certas formas de autonomia de 10 milhões de indígenas.
Acima de tudo, no entanto, conseguiram sacudir a consciência pública a respeito da dramática situação de miséria e atraso de uma décima parte da população e redescobrir a parte esquecida do país – a que é habitada pelos indígenas.
As duras críticas feitas aos comandantes do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) durante todo o tempo de sua permanência na Cidade do México, desde simples questionamentos até ameaças, se transformaram ontem em elogios e demonstrações de simpatia e admiração.
‘‘O diálogo está batendo à nossa porta e a paz é o que se seguirᒒ, afirmou exultante o ministro do Governo, Santiago Creel.
O principal objetivo da ‘‘Caravana pela Dignidade Indígena’’ de 24 dirigentes rebeldes, que percorreu 12 Estados do sul e centro do México durante duas semanas, foi falar perante o Congresso para convencer os legisladores a apoiarem a Lei dos Direitos e Cultura Indígena que agora será por eles discutida.

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