Um pequeno, mas influente grupo de legisladores conservadores controla o processo de destituição do presidente norte-americano, Bill Clinton, que começa hoje no Senado. Numerosos norte-americanos foram surpreendidos pela mecânica infernal que fez com que no dia 19 de dezembro a Câmara de Representantes aprovasse a destituição de Clinton por ‘‘perjúrio’’ e ‘‘obstrução da justiça’’ por ter tentado ocultar sua relação com Monica Lewinsky, uma jovem estagiária da Casa Branca. Estes legisladores, encabeçados por seu líder Tom DeLay, número três na Câmara Baixa, incitaram toda uma série de grupos de pressão conservadores a inundar com telefonemas os outros representantes republicanos para exigir uma votação contra o presidente. A Câmara, ignorando totalmente a opinião pública, votou depois em favor da destituição de Clinton, em uma linha partidarista.
‘‘Não é surpreendente que na Câmara em particular, os conservadores tenham tido uma influência desproporcional sobre o processo’’, afirmou a politóloga Karlyn Bowman, do American Enterprise Institute em Washington. O peso da direita conservadora resulta da influência que a direção da Câmara pode exercer na base, assinalou.
Mas no Senado, os conservadores parecem também ter a predominância no debate sobre a maneira de organizar o primeiro processo de impeachment de um presidente em 130 anos. Quase todos estão de acordo em dizer que uma votação em favor da destituição de Clinton é praticamente impossível. Efetivamente, o impeachment deve ser aprovado por maioria dos dois terços dos senadores, ou seja, 67 votos, e os republicanos têm apenas 55 votos, contra 45 dos democratas aliados do presidente.
Mas o centro do debate está nas modalidades do julgamento político, sua forma e sua duração. Um julgamento longo e todas as revelações que isso significaria podem acabar com o presidente, mesmo sem ser destituído. Um pequeno grupo de senadores conservadores rejeitou as propostas de um compromisso destinado a aprovar uma moção de censura em troca do abandono do julgamento.
Para vários republicanos conservadores, entre eles Phil Gramm, do Texas, o Senado não deve, de nenhum modo, suspender o julgamento. ‘‘Não vamos fugir de nossa responsabilidade’’ de realizar um julgamento completo, declarou no canal de televisão CNN. Os democratas advertem sobre os riscos dessa política para os próprios republicanos. ‘‘Perderam da última vez (nas eleições legislativas de novembro) e as pesquisas mostram que os republicanos continuam perdendo terreno’’, estimou pela NBC o senador democrata Tom Daschle.

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