Conservadores estao em perigo
Reuter

Arquivo/FolhaO primeiro-ministro John Major em uma situaçao que o estimula: participa de um debate franco com membros do seu partidoLONDRES - Os conservadores britânicos tentavam, sexta-feira, minimizar o impacto devastador de sua derrota na eleiçao parcial realizada na véspera em Wirral South, enquanto os trabalhistas a comemoravam como uma nova etapa de seu retorno ao poder, que esperam consolidar nas eleiçoes legislativas de maio.
A derrota eleitoral levou o primeiro-ministro britânico John Major a levantar pela primeira vez a hipótese de que os conservadores poderiam perder as eleiçoes gerais. Em uma entrevista à TV britânica, ele afirmou: ‘‘Se as opinioes nao mudarem entao estaremos caminhando para um governo trabalhista’’. Ao final, no entanto, o premiê disse estar confiante de que poderá recuperar os votos locais.
A eleiçao parcial foi convocada após a morte, no mês de novembro, do deputado conservador Barry Porter. Para os conservadores, a derrota em seu tradicional bastiao de Wirral South, pequena circunscriçao de 60 mil eleitores próxima a Liverpool (noroeste da Inglaterra), é dolorosa em vários aspectos: o candidato trabalhista Ben Chapman, obteve a cadeira com a espetacular maioria de 53% contra 34% do conservador Les Byrom. Nas eleiçoes de 1992, os tories ganharam em Wirral South com 25,6 mil votos contra os 17,4 mil dos trabalhistas.
A taxa de participaçao de 73% reforça ainda mais o impacto do ‘‘voto sançao’’ e a natureza do eleitorado confirma que a classe média, essencial para a vitória em escala nacional, já nao teme o Partido Trabalhista.
O mais grave de tudo: a derrota deixou o governo sem maioria parlamentar pela terceira vez desde dezembro. Contudo, os tories obtiveram esta semana uma grande satisfaçao, que os deixa a salvo de uma moçao de censura até as eleiçoes: em troca de algumas concessoes, os nove deputados unionistas moderados da Irlanda do Norte, na oposiçao, informaram que nao precipitarao a queda de Major.
Antes da entrevista à TV, o primeiro-ministro havia se recusado a dar importância à derrota: ‘‘Continuo nao acreditando que o país votará nas eleiçoes legislativas em um partido que aumentaria os gastos, os impostos, daria novos direitos aos sindicatos e acabaria com a livre escolha em matéria de educaçao.’’.
O líder trabalhista, Tony Blair, declarou por seu turno à rede de tevê ITV que a vitória de seu partido ‘‘é um resultado estupendo para o novo trabalhismo’’. Segundo Blair, ‘‘as pessoas de todas as classes sociais estao rejeitando o Partido Conservador pois ele nao tem nada para oferecer’’.

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